segunda-feira, 23 de março de 2009

Câmara Júnior

A Câmara dos Deputados (CD) aprovou o Projeto de Lei (PL) 1623/03, que institui o Dia Nacional da Câmara Júnior em 11 de dezembro.

A Câmara Júnior é uma associação mundial de pessoas na faixa etária de 18 a 40 anos de idade, que busca no aprimoramento individual as bases para o desenvolvimento de suas comunidades.

A associação não possui conotação religiosa ou política, e tem sido definida em todo o mundo como uma organização educacional suplementar, na qual os jovens de uma comunidade podem associar-se dentro de um espírito de companheirismo e compreensão, para desenvolver uma consciência cívica em seus membros, por meio de uma participação ativa em projetos construtivos que beneficiem a comunidade.

A matéria será agora analisada pelo Senado Federal (SF).

domingo, 22 de março de 2009

Perda de Receita

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, anunciou um bloqueio de R$ 21,6 bilhões no Orçamento de 2009.

O valor foi menor que o esperado, pois em janeiro havia sido divulgado um corte preliminar de mais de R$ 37 bilhões.

Os ajustes na Lei Orçamentária Anual (LOA) são necessários, segundo o governo, para adaptá-la à perda de receita causada pelos efeitos da crise financeira internacional.

Paulo Bernardo informou que as emendas parlamentares individuais ao Orçamento serão preservadas.

A previsão de crescimento do PIB, fixada em 3,5% no Orçamento, foi revista para 2%. O ministro Paulo Bernardo não descarta novas mudanças. Haverá cortes em custeio e em investimentos, mas as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) serão mantidas.

Os detalhes sobre como o contingenciamento vai atingir cada ministério e órgão público serão anunciados até o fim deste mês.

Os reajustes já autorizados para os servidores públicos federais estão mantidos, segundo o ministro. Quanto aos concursos públicos, ele disse que vem negociando com cada ministério e cada órgão a possibilidade de adiamento das contratações e até mesmo da diminuição do número de vagas.

Dengue

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) aprovou o Projeto de Lei (PL) 2049/03, que define como Dia Nacional de Combate à Dengue o penúltimo sábado do mês de novembro, com o objetivo de incentivar o poder público e a população à realização de ações destinadas ao combate ao vetor da doença.

A proposta segue agora para sanção presidencial.

Água

Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água.
Thomas Fuller
22 de março
Dia Mundial da Água

sábado, 21 de março de 2009

Airbag

Sancionada nesta semana, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei 11.910/09, que torna obrigatória a instalação de airbag dianteiro nos veículos produzidos no Brasil ou importados pelo País, que entrará totalmente em vigor em pelo menos cinco anos. Esta medida havia sido aprovada aqui na Câmara dos Deputados (CD) em fevereiro último.

Esse é o prazo para que montadoras e importadoras se adaptem à norma após sua regulamentação pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

O dispositivo já é item obrigatório de segurança em países como os Estados Unidos e tem sua importância reconhecida por especialistas no Brasil. O airbag poderia evitar, por ano, 490 mortes de condutores (1,4% das 35 mil pessoas que morrem por ano no trânsito) e 10.150 ferimentos leves, é o que diz o supervisor de segurança do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi Brasil), José Antonio Oka, que coordenou, no ano passado, uma pesquisa sobre a influência do airbag na redução de vítimas fatais em acidentes.

Outra conclusão do estudo diz respeito à economia. O Cesvi calculou que R$ 90 milhões seriam economizados anualmente em gastos com saúde, por exemplo, em decorrência das vidas salvas.

Segundo dados apurados pelo Cesvi Brasil, os veículos com airbag representavam entre 4% e 4,7% da frota brasileira de automóveis e camionetas em 2007. Apesar do baixo número, o secretário-geral da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot), Flávio Faloppa acredita na popularização do item, da mesma forma que ocorreu com o cinto de segurança e, nos últimos anos, com o câmbio automático em veículos.

Faloppa defende todos os equipamentos que possam prevenir mortes, mas ressalta que o uso do airbag deve complementar o do cinto de segurança. Para o médico, os custos de incorporação do novo item em veículos são o menos importante na discussão diante do número de vidas salvas e da economia nos gastos com saúde.

Com a popularização do airbag, acredita-se que a tendência é o custo cair. A instalação de um airbag atualmente custa em torno de R$ 2 mil.

Atendimento por Telefone

A Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) promete acompanhar o cumprimento do decreto presidencial 6523/08, que regulamenta os serviços de atendimento ao cliente por telefone (call centers).

O decreto entrou em vigor em dezembro do ano passado e mesmo assim os abusos por parte das empresas continuam.

Os serviços de proteção ao consumidor têm recebido queixas frequentes de empresas que não respeitam o limite máximo de um minuto para o atendimento, nem fornecem a opção de reclamação já no início da ligação.

A Comissão de Defesa do Consumidor também vai realizar audiências públicas sobre os serviços prestados pelas empresas de telefonia.

Quem quiser reclamar sobre os serviços dos call centers ou de telefonia, pode mandar um e-mail diretamente para a Comissão.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Transtorno Mental

A Câmara dos Deputados (CD) aprovou nesta semana, em caráter conclusivo, o Projeto de Lei (PL) 6013/01, que conceitua transtorno mental, padroniza a denominação de enfermidade psíquica em geral e assegura aos portadores desse mal, entre outros, o direito a um diagnóstico conclusivo, conforme classificação internacional.

A matéria segue agora para análise do Senado Federal (SF).

O PL determina que transtorno mental é o termo adequado para designar o gênero enfermidade mental, e substitui termos como alienação mental e outros equivalentes.

Nos termos da proposta, os acometidos de transtorno mental de qualquer natureza terão sempre direito de ser examinados, em perícia médica, por junta em que os psiquiatras sejam maioria, com os recursos técnicos necessários e de ter a enfermidade esclarecida e classificada de acordo com padrões internacionais.


Foto Ane Aguirre

quinta-feira, 19 de março de 2009

Calma

Se és capaz de manter tua calma, quando, todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa (...), então serás um homem, meu filho.

Rudyard Kipling

Bênçãos

No Dia de São José, o cearense quer bênçãos e muita chuva.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Serviço por Telefone

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) aprovou, em caráter conclusivo, proposta que obriga a empresa que vende serviços por telefone a disponibilizar aos clientes a possibilidade de cancelamento automático do serviço também por telefone, sem intervenção pessoal.

O texto aprovado é o substitutivo da Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) ao Projeto de Lei (PL) 589/07, que segue agora para análise do Senado Federal (SF).

Pelo projeto, o fornecedor fica obrigado a oferecer um serviço de atendimento automático de ligações telefônicas que lhe permita determinar, com segurança, a cessação da prestação do serviço ou a rescisão do contrato.

O substitutivo inclui dispositivo que obriga a empresa a fornecer ao consumidor o número de protocolo sob o qual estará registrada a demanda, a fim de permitir o acompanhamento do atendimento até o final.

Sem dúvidas, hoje é preocupante a dificuldade existente para cancelar serviços por telefone. A ligação é atendida por pessoas que tentam impedir o cancelamento, mesmo que para isso seja necessário recorrer a expedientes abusivos, como a simulação de que a ligação 'caiu', a transferência para ramais inúteis, a longa espera entre uma ação e outra, e a oferta insistente de novos planos e tarifas.

O projeto também determina que o serviço de atendimento informe ao consumidor o valor de eventuais débitos pendentes, a vigência de cláusulas de fidelização e o valor de multas decorrentes da rescisão do contrato.

Depois de sancionada, a lei terá de ser regulamentada no prazo de 90 dias após a publicação, e produzirá efeitos 90 dias após regulamentada.

Em dezembro do ano passado entrou em vigor o decreto 6.523/08, que regulamenta a Lei 8.078/90, para fixar normas gerais sobre o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) por telefone.

O decreto já prevê que o SAC garantirá ao consumidor, no primeiro menu eletrônico, as opções de contato com o atendente, de reclamação e de cancelamento de contratos e serviços.

O decreto ainda determina que, nos casos de reclamação e cancelamento de serviço, não será admitida a transferência da ligação, devendo todos os atendentes possuir atribuições para executar essas funções.

Consulte aqui a íntegra do PL 589/2007.

terça-feira, 17 de março de 2009

Clodovil

O deputado Clodovil Hernandes (PR-SP) morreu nesta terça-feira, 17, aos 71 anos, após sofrer uma parada cardíaca às 18h50.

A morte cerebral do parlamentar já havia sido confirmada às 16 horas, em boletim divulgado pelo Hospital Santa Lúcia, em Brasília, em consequência de um acidente vascular cerebral (AVC), sofrido na segunda-feira, 16. O velório será amanhã, 18, às 11 horas, na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A Câmara dos Deputados (CD) decretou luto oficial na quarta-feira,18, em razão da morte do parlamentar. Com isso, não haverá sessões no Plenário da Casa.

Semana Lotada

Devemos começar a discutir a Medida Provisória (MP) das Dívidas (449/08) nesta terça-feira, 17. A medida provisória tranca a pauta e é um dos itens mais polêmicos previstos porque estipula novas regras para o parcelamento de dívidas com o fisco federal.

A segunda medida provisória que tranca a pauta é a MP 450/08. A MP autoriza a União a participar do Fundo de Garantia a Empreendimentos de Energia Elétrica (FGEE), a ser administrado por banco federal.

O fundo tem o objetivo de prestar garantias no financiamento da construção de usinas hidrelétricas constantes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). As usinas de Jirau e de Santo Antônio, no rio Madeira (RO), devem ser os primeiros empreendimentos beneficiados.

Outras mudanças na legislação tributária são feitas pela MP 451/08, que também tranca a pauta. Ela cria duas novas alíquotas na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), concede subvenção econômica a empresas de pesca de Santa Catarina e muda as regras do seguro obrigatório de veículos (DPVAT).

Também está na pauta a PEC 438/01, do Senado Federal (SF), que institui a pena de perda da terra na qual for comprovada a prática de trabalho escravo. A PEC foi aprovada em primeiro turno em agosto de 2004, e faz parte de uma lista de matérias consideradas prioritárias.

Dois outros itens dessa lista também foram incluídos na pauta dessa semana - a PEC 511/06, também do Senado, que muda as regras de tramitação de medidas provisórias e foi aprovada em primeiro turno em dezembro de 2008; e a PEC 349/01, que acaba com a votação secreta no Poder Legislativo, aprovada em primeiro turno em setembro de 2006.

Poderemos votar ainda propostas sobre direitos da mulher, como o Projeto de Lei Complementar 59/99, que estende à mãe adotiva o direito de estabilidade no emprego garantido à genitora falecida nos meses seguintes ao parto.

Outro projeto é o PL 810/95, que proíbe a venda de bebidas alcoólicas a embriagados e determina aos fabricantes dessas bebidas a colocação de aviso na embalagem para alertar as mulheres grávidas sobre os efeitos nocivos do álcool, especialmente ao feto.

Um terceiro projeto na pauta, voltado às mulheres, é o PL 1626/89, que regulamenta os direitos trabalhistas da empregada doméstica. Temos ainda que analisar o substitutivo do Senado que garante, entre outros, o direito ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Veja aqui a pauta completa do Plenário.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Em Listas Telefônicas

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) aprovou a proposta que obriga as operadoras de telefonia fixa a divulgar a legislação de defesa do consumidor nas listas telefônicas de distribuição obrigatória.

A proposta altera a Lei Geral de Telecomunicações (Lei 9.472/97) e determina, em especial, a divulgação do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90).

Aprovado anteriormente pelas comissões de Defesa do Consumidor; e de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; o projeto está agora aprovado pela Câmara dos Deputados (CD), pois tramitava em caráter conclusivo. Ele segue para análise do Senado Federal (SF).

Examine a íntegra do PL 768/2003.

domingo, 15 de março de 2009

Mais e Mais

O objetivo do consumidor não é o de possuir as coisas, mas de consumir cada vez mais e mais, a fim de com isso compensar seu vácuo interior, sua passividade, sua solidão, seu tédio e sua ansiedade.

Érico Veríssimo (1905-1975) Solo de Clarineta, II: O Escritor e o Espelho

Desafios Gigantescos

15 de março é o Dia Mundial do Consumidor, e no dia 10 de março completam-se 19 anos de vigência do Código de Defesa do Consumidor brasileiro.

O Dia Mundial do Consumidor foi instituído em 1962, quando o então Presidente dos Estados Unidos (EUA), John Kennedy, divulgou a famosa Declaração dos Direitos Internacionais do Consumidor, na qual estavam expressos, em especial, o direito de quem consome à segurança, à informação, à livre escolha e a ser ouvido em seus reclamos. O documento representou um marco não só naquela Nação, mas refletiu-se em outros países, entre eles o Brasil.

Na verdade, a preocupação com os direitos do consumidor remonta à Antiguidade. Desde que o homem deixou o estado primitivo, passando a adquirir bens ou serviços que lhe auxiliassem a sobrevivência, ou seja, desde que se iniciaram as relações de consumo, emergiu a necessidade de estabelecimento e de defesa de direitos do consumidor, que, via de regra, é a parte mais frágil da relação.

Essa fragilidade do consumidor já era preocupação expressa no Código de Hamurábi, na Babilônia, em 1780 a.C. Naquele documento, condenava-se à morte o construtor de uma casa que porventura desabasse sobre seu morador. Entretanto, ainda hoje, a despeito de legislações exemplares, os direitos dos consumidores são desrespeitados, seja na construção civil, seja em muitos outros setores da atividade econômica. Não é possível baixar a guarda. Há de se estar alerta, sempre.

Se já se cometiam abusos na época do primitivo escambo ou no tempo das relações pessoais com os artesãos, em que o consumidor tinha claro poder de barganha e podia manifestar livremente sua eventual insatisfação quanto ao objeto de consumo, hoje a situação é mais grave, porque o papel do consumidor foi reduzido ao de um figurante passivo, impotente diante da impessoalidade cada vez maior das relações.

Especialmente agora, nesses derradeiros anos da primeira década do Milênio, os consumidores se veem imersos numa crise econômica sem precedentes, que põe em xeque não só o projeto de sociedade e de economia desenvolvido pelo homem, mas também as relações que o pautaram.

Daquelas relações comerciais primeiras, pessoais e diretas, chegamos às complexas operações de compra e venda, que envolvem milhões, bilhões de dólares, nas quais as partes envolvidas se desconhecem.

Operações em que marcas identitárias perdem lugar, favorecendo a existência de cartéis, holdings, multinacionais, monopólios, propaganda maciça, enfim, a perda de controle por parte do consumidor e, muitas vezes, a perda de consciência acerca de seus direitos.

Vale destacar que foram os movimentos seculares em defesa do consumidor que desencadearam aquela Declaração, em 1962, sem dúvida, mola propulsora de avanços inquestionáveis.

O Brasil, em particular, possui uma legislação arrojada, consonante com as de países onde o consumidor tem, de fato, direitos resguardados e garantidos.

Aqui, foi criado há quase duas décadas o Código de Defesa do Consumidor, cuja vigência tem provocado mudanças comportamentais importantíssimas no âmbito das relações de consumo. Fruto de movimento iniciado em 1840, quando se estabeleceram direitos e obrigações dos passageiros de embarcações em território brasileiro, intensificado a partir dos anos 30 do século passado, quando enfim tomamos pé de nossa nacionalidade, e impulsionado pela declaração norte-americana, o Código brasileiro fincou suas raízes em 1988, no inciso XXII do artigo 5º da nossa Constituição Cidadã: o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor.

Logo depois, em 1990, foi promulgada a lei nº 8.078, conhecida como Código de Defesa do Consumidor. Além de normatizar os direitos e garantir a proteção dos consumidores, o Código estabeleceu responsabilidades, tipificou crimes e delimitou penalidades para as infrações cometidas nas relações de consumo. Além disso, criou o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, o nosso conhecido Procon.

Sem dúvida, esses são avanços consideráveis, mas não bastam, sobretudo quando, repito, vivemos um momento de crise tão acentuada, em que se expõem as fragilidades do modelo de desenvolvimento propalado ao longo de mais de um século.

Mais que nunca, é preciso divulgar os direitos do consumidor neste País, para que a consciência acerca deles leve à exigência e à garantia de que os consumidores não haverão de sofrer qualquer tipo de prejuízo. Mais que isso, é preciso estarmos vigilantes para percebermos os imperativos de mudança.

Em particular, manifesto aqui a minha preocupação de legislador, no sentido de que estejamos alerta, para zelar pela ética, pela justiça, pela moralidade, enfim, pela garantia dos direitos dos consumidores brasileiros. De outra parte, como consumidor, exorto a todos para que estejamos atentos e unidos, em defesa dos nossos direitos.

Que, ao comemorar mais um Dia Mundial do Consumidor e os 19 anos de vigência do Código de Defesa do Consumidor brasileiro, possamos estar convictos de que os tempos são outros, os desafios são gigantescos, mas a razão que move estas comemorações deve permanecer: a defesa da parte mais frágil das relações de consumo.

sábado, 14 de março de 2009

Regulamentação

A Câmara dos Deputados (CD) criou, nesta semana, comissão especial para analisar todos os artigos ainda não regulamentados da Constituição Federal (CF).

Promulgada em 5 de outubro de 1988, a Constituição Federal tem 142 dispositivos, entre artigos inteiros, parágrafos ou incisos, que precisam de leis complementares para serem validados.

O propósito desta iniciativa é que até o final desta legislatura, a comissão vai apresentar à sociedade um retrato do que precisa de regulamentação. O papel da comissão especial é detectar tais pendências.


Foto Koruja

sexta-feira, 13 de março de 2009

Dois Anos

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) aprovou o Projeto de Lei (PL) 2040/03, que dá prazo de dois anos para fornecedores de serviços essenciais cobrarem dívidas do consumidor ou exigirem comprovante de pagamento ou fatura do serviço. Atualmente, esse prazo é de cinco anos. A proposta foi aprovada em caráter conclusivo e, se não houver recurso, seguirá para o Senado Federal (SF).

O projeto foi aprovado na forma de substitutivo da Comissão de Defesa do Consumidor, que lista os serviços essenciais em domicílio sujeitos ao prazo: água, energia elétrica, gás por encanamento, esgoto e telefonia fixa.Para o deputado Walter Pinheiro, o projeto vai corrigir uma situação injusta, em que o usuário é obrigado, por causa de desorganização das empresas, a comprovar depois de muitos anos o pagamento da conta desses serviços.

Atualmente, há vários instrumentos jurídicos que regem a prescrição do prazo de dívidas com fornecedores de serviços. O substitutivo inclui o prazo de prescrição no Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90).

Consulte a íntegra do PL 2040/2003.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Pena de Advertência

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) aprovou nesta quinta-feira, 12, em caráter conclusivo, o Projeto de Lei (PL) 3016/04, que obriga o fiscal de trânsito a aplicar pena de advertência por escrito ao motorista ou pedestre que tiver cometido infração leve que pode ser punida com multa. Mas será necessário que o motorista não tenha cometido nenhuma infração nos 12 meses anteriores. O PL segue para análise do Senado Federal (SF).

Entre as infrações leves previstas no Código estão:
- estacionar o veículo em desacordo com as condições regulamentadas especificamente pela sinalização (placa - Estacionamento Regulamentado);
- parar o veículo no passeio ou sobre faixa destinada a pedestres, nas ilhas, refúgios, canteiros centrais e divisores de pista de rolamento;
- ultrapassar veículo em movimento que integre cortejo, desfile e formações militares, salvo com autorização da autoridade de trânsito ou de seus agentes;
- buzinar entre 22h - 6 horas.

O texto original desta matéria é de minha autoria, e aqui pode ser consultada a íntegra do PL 3016/2004.

Moderação

Até no excesso existe moderação.

Benjamin Disraeli

Vagões Abertos

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) aprovou nesta semana, em caráter conclusivo, a proposta que torna obrigatório, no transporte ferroviário de minérios ou cargas a granel em vagões abertos, o uso de lona ou outra forma de proteção que impeça o derramamento do material transportado e a dispersão de suas partículas na atmosfera. A matéria segue agora para análise do Senado Federal (SF).

A proposta foi aprovada na forma do substitutivo da relatoria, ao PL 2138/07. O substitutivo acrescenta ao texto original, a exigência de que seja comprovada a possibilidade de derramamento e/ou dispersão de partículas.

De acordo com o relator na CCJC, a iniciativa é válida, pois, segundo a Constituição, compete à União editar normas gerais sobre a "proteção do meio ambiente e controle da poluição", e ainda a "proteção e defesa da saúde" da população.

O PL tem por objetivo promover a melhoria da segurança das cargas do transporte ferroviário, com vistas a beneficiar os trabalhadores do setor, evitando possíveis danos ao meio ambiente e à população que mora ou trafega nas proximidades das linhas férreas ou das estações de transbordo de carga.

Consulte aqui a íntegra do PL 2138/2007.


Foto Emanoel Celestino

quarta-feira, 11 de março de 2009

Interrupção

Um acordo de lideranças partidárias permitiu a interrupção da leitura do projeto de lei de conversão da Medida Provisória (MP) 449/08, aqui na Câmara dos Deputados (CD).

A MP perdoa dívidas de até R$ 10 mil de contribuintes junto à União e estabelece novas regras para parcelamentos de débitos.

A matéria começará a ser discutida, entretanto, somente a partir da próxima semana.

Equipamentos Obrigatórios

Foi aprovado nesta semana, aqui na Câmara dos Deputados (CD), a inclusão de barras laterais de proteção entre os equipamentos obrigatórios dos veículos de carga e automóveis novos ou usados. A proposta, que tramitava em caráter conclusivo, foi votada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), seguindo agora para revisão do Senado Federal (SF).

O texto original do Projeto de Lei (PL) 673/03, determinava a instalação apenas em veículos de carga de grande porte, reboques e semi-reboques. A matéria aprovada foi o substitutivo da Comissão de Viação e Transportes, que estendeu a obrigatoriedade para carros de passeio.

A única alteração que a CCJC promoveu na versão aprovada na Comissão de Viação e Transportes foi excluir do texto as referências ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Este, segundo o substitutivo analisado pela CCJC, teria algumas incumbências, como aprovar um cronograma para adaptação dos veículos em circulação.

Com a exclusão desses dispositivos, o texto não traz nenhuma regra sobre prazos, especificações e outros detalhes da implantação do novo item de segurança. Entende-se que o Congresso Nacional (CN) não pode criar obrigações para um órgão do Poder Executivo, como é o caso do Contran.

terça-feira, 10 de março de 2009

Escutas

Acabamos de aprovar, em votação simbólica, no plenário da Câmara dos Deputados (CD), o requerimento de prorrogação dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas por mais 60 dias.

O requerimento pôde ser aprovado mesmo com a pauta trancada por medidas provisórias, pois não é matéria legislativa.

Defesa Civil

A Câmara dos Deputados (CD) vai realizar uma comissão geral para discutir a estrutura da defesa civil no Brasil.

A defesa civil brasileira precisa ter uma ação mais preventiva, e não apenas de resposta aos desastres.

O propósito é que possamos ajudar a reduzir a demora e a burocracia na liberação de recursos para os atingidos por desastres.

A Câmara vai analisar a sugestão de criação de um fundo nacional para prevenir desastres climáticos, daí estarem sendo feito contatos com as representações diplomáticas da Holanda e da Inglaterra, para tentar parcerias com universidades desses países no estudo das mudanças de clima e da elevação do nível dos mares.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Dia Nacional

Cada dólar que um país investe em turismo propicia seis dólares de retorno; no Brasil, R$ 1 bilhão investido nessa área gera entre 70 mil e 80 mil novos empregos.

São números conhecidos, mas que desejo reforçar a propósito do transcurso, em dois de março, do Dia Nacional do Turismo. É uma boa oportunidade para se falar um pouco mais sobre esse setor, felizmente hoje reconhecido como importante segmento da economia brasileira, grande gerador de emprego e renda.

Repleto de atrativos naturais e melhorando rapidamente as condições para o seu aproveitamento, o Brasil está se tornando um destino cada vez mais expressivo.

No ano passado, conforme dados divulgados pelo Banco Central (BC), os gastos dos turistas estrangeiros aqui atingiram o total recorde de US$ 5,7 bilhões. Isso representou um crescimento de 16,8% sobre o ano anterior, enquanto a média mundial ficou em 7%, ou seja, menos da metade.

Em dezembro passado, reportagem de capa da revista National Geographic Adventure apontou o Brasil, ao lado do Nepal, como melhor destino de turismo de aventura do mundo.

Segundo os editores da revista, que atinge mais de 2,4 milhões de leitores espalhados em dezenas de países, o Brasil foi selecionado por suas consistentes melhoras na infraestrutura, que conta com transporte facilitado para o coração da Amazônia, a vida selvagem do Pantanal e outros incontáveis lugares escondidos entre praias de areia branca.

A Associação Brasileira das Empresas de Turismo de Aventura calcula que esse segmento atraia anualmente quatro milhões de turistas, entre brasileiros e estrangeiros, representando um faturamento próximo de R$ 500 milhões.

Um estudo encomendado pela Embratur mostrou que 19,5% dos estrangeiros que estiveram aqui, em viagem de lazer no ano de 2006, disseram ter escolhido o Brasil por motivo de natureza, ecoturismo ou aventura.

Para se inserir em definitivo nesse segmento, o País sediou em setembro de 2008, na cidade de São Paulo, o Adventure Travel World Summit, um dos maiores encontros mundiais de turismo de aventura, pela primeira vez realizado fora da América do Norte.

Tenho certeza de que, entre aquelas praias de areias brancas citadas pela National Geographic Adventure, estão algumas do meu querido Ceará, muito apreciado por brasileiros e estrangeiros, tanto para turismo convencional como de aventura.

Anualmente, mais de dois milhões deles ingressam no Estado, via Fortaleza. Esse fluxo ainda pode aumentar muito com o lançamento de novos voos dos Estados Unidos para o Brasil e as campanhas promocionais que estão sendo realizadas no exterior, num trabalho que precisa ser mantido e, se possível, intensificado.

Dados fornecidos pelo Ministério do Turismo (MT) indicam que, de janeiro a outubro do ano passado, foram autorizados empenhos de recursos federais para investimentos no setor turístico cearense da ordem de R$ 86,3 milhões, abrangendo infraestrutura, qualificação e projetos do Prodetur. Em 2007, já haviam sido investidos, no total, R$ 161 milhões, e, entre 2003 e 2006, R$ 117 milhões.

Dessa forma, investindo, qualificando serviços e instalações, recebendo corretamente os visitantes, sejam eles estrangeiros ou brasileiros, nosso País só tem a ganhar com o turismo, que pode se tornar ainda muito mais significativo no nosso cenário econômico.

Para isso, conta, certamente, com todos os milhares e milhares de profissionais que atuam no setor, aos quais apresento meus cumprimentos pelo Dia Nacional do Turismo.

domingo, 8 de março de 2009

Juntos

Nós seremos o que fizermos juntos.
André Gorz

Dia Internacional da Mulher

O 8 de Março marca a passagem do Dia Internacional da Mulher. Nesse contexto, presto um tributo especial a todas as mulheres brasileiras que lutam bravamente, assegurando a sobrevivência e a defesa intransigente de sua dignidade.

No conjunto de destaques femininos, marco aqui a minha profunda admiração por três mulheres que suavizam a minha vida: Beatriz Alcântara, minha mãe; Ane Alcântara, minha esposa e companheira de lutas; e minha filha Amanda.

O Dia Internacional da Mulher está intimamente ligado aos movimentos feministas que buscavam respeito para as mulheres e sociedades mais igualitárias. É a partir da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, que essas reivindicações tomaram maior vulto com a exigência de melhores condições de trabalho e equilíbrio entre os sexos.

Não era incomum as operárias dessa época serem submetidas a um sistema desumano de trabalho, com jornadas de até 16 horas diárias, espancamentos e ameaças sexuais. Foi justamente por causa de precárias condições de trabalho que 130 tecelãs da fábrica de tecidos Cotton, de Nova Iorque, decidiram paralisar seus trabalhos, reivindicando o direito à jornada de 10 horas. Era 8 de março de 1857, data da primeira greve norte-americana conduzida somente por mulheres.

A partir daí, o que a história registraria seriam cenas de terror. A polícia reprimiu violentamente a manifestação, fazendo com que as operárias se refugiassem dentro da fábrica. Os donos da empresa, junto com os policiais, trancaram-nas no local e atearam fogo, matando carbonizadas todas as tecelãs.

Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres, realizada na Dinamarca, foi proposto que o dia 8 de março fosse declarado Dia Internacional da Mulher, em homenagem às operárias de Nova Iorque. No ano de 1975, a data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas.

Desde então, essa data começou a ser comemorada no mundo como homenagem às mulheres, remetendo todos, a cada ano, à celebração dos feitos econômicos, políticos e sociais alcançados pela mulher ao longo do tempo, às lutas que lhes têm permitido, gradativamente, conquistar direitos e livrar-se de malditos estigmas.

Esta data nos permite contabilizar o progresso e os desafios a serem enfrentados por todos, no sentido de esboçar os caminhos que ainda precisam ser percorridos até que se possa alcançar a efetiva igualdade do gênero humano; a igualdade em direitos e oportunidades entre homens e mulheres; a igualdade em direitos e obrigações preconizada em nossa Carta constitucional.

Embora as lutas das mulheres tenham obtido importantes conquistas democráticas nas últimas décadas – como regulamentação da jornada de trabalho, direito ao voto, direito ao divórcio, etc. –, é mais do que evidente que as mulheres ainda permanecem, como gênero feminino, em condição de inferioridade em relação ao homem.

Recebem pelo mesmo trabalho salários menores aos dos homens, possuem dupla jornada de trabalho (a mulher não abandonou o seu papel de gestora da casa e da prole), muitas vezes são forçadas a alimentar o mercado da prostituição, são alvos da violência doméstica crescente. Isto sem mencionar que em alguns países da Ásia e da África, as mulheres, sem nenhum direito, são tuteladas pelo pai, que as mutila (com a amputação do clitóris) e as vende como mercadorias.

Relatório da Anistia Internacional mostra que 1 bilhão de mulheres, ou uma em cada três do planeta, já foram espancadas, forçadas a ter relações sexuais ou submetidas a algum outro tipo de abuso. No Brasil, a cada 15 segundos uma mulher é espancada por um homem.

Por essa razão, justas são as comemorações e homenagens estimuladas pelo Dia Internacional da Mulher, e importantes são as palavras que repercutem, porque estão a mostrar uma verdade fundamental que se contrapõe a milênios de opressão e de injustiça, pois todos somos iguais.

Concluo prestando uma homenagem às deputadas que compõem esta Câmara dos Deputados (CD), pelo padrão de eficiência na defesa das conquistas e dos direitos da mulher. Ao homenagear minhas cmpanheiras deputadas, tenho a certeza de que, pelo mandato producente e edificante que elas têm exercido, estarei homenageando todas as mulheres do Brasil. Elas são exemplos das conquistas árduas, longas, da chamada “cidadania feminina”.

Faço, apenas, uma ressalva para lamentar o fato da Câmara dos Deputados no Brasil ter perdido, novamente, a oportunidade de promover o aumento da representatividade das mulheres no processo político, ao não ter assegurado a sua participação em um dos sete cargos titulares da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.

Em mais de um século de história, nunca uma mulher exerceu um cargo de direção na Mesa da Casa – houve apenas deputadas em cargos de suplência. É hora, portanto, de superar essa barreira, permitindo maior participação da mulher nesta Casa, na Mesa Diretora, nos cargos diretivos das comissões e nas relatorias dos projetos de maior visibilidade.

Apesar de um processo mundial de maturação em curso, apesar de elementos que apontam para uma progressiva superação do preconceito, apesar do destaque de mulheres que disputam e, em alguns casos, ganham o poder em seus países, a mulher brasileira conta ainda com pouco espaço político.

A mulher brasileira quer mais espaço de poder para avançar na luta por seus direitos. É preciso garantir o aumento da sua representatividade em todos os níveis de decisões, seja instituições nacionais, regionais ou internacionais, e em mecanismos para a prevenção, gerenciamento e resolução de conflitos. A presença da mulher na política é essencial para dar novas cores à democracia.

Portanto, a minha homenagem à mulher brasileira porque a sua política busca uma nova etapa da vida política do País: combater a escandalosa injustiça social que martiriza a vida cotidiana dos brasileiros e da esmagadora maioria das mulheres brasileiras.

sábado, 7 de março de 2009

Lixo Tóxico

A reportagem intitulada O lado sujo da indústria limpa, veiculada no jornal Folha de São Paulo, em 4 de fevereiro de 2009, faz referência à informação de que o Brasil teria recebido, em 2006, mais de mil toneladas de equipamentos eletrônicos descartados nos Estados Unidos (EUA). Citam-se, na matéria, as substâncias tóxicas da composição de partes desses equipamentos.

Mesmo que a informação sobre a entrada no País desses equipamentos não possa ser facilmente comprovada, a sucata eletrônica constitui, sem dúvida, um problema ambiental sério. A preocupação com o tema é necessária. E polêmico, evidentemente.

Enfatizo que tramita nesta Câmara dos Deputados (CD), já há vários anos, processo voltado a gerar a Lei da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PL 203/1991 e seus muitos apensos). Esse processo encontra-se em Plenário, sendo atualmente objeto de atenção de um Grupo de Trabalho.

Entre os projetos sobre lixo tecnológico, todos reunidos no processo do PL 203/1991, vale citar:
· PL 3.152/2008, estabelece a obrigatoriedade de recolhimento, reaproveitamento, reciclagem ou destruição e destinação ambientalmente adequada de equipamentos e materiais inservíveis de informática e telefonia;
· PL 4.178/1998, dispõe sobre a coleta, o tratamento e a destinação final do lixo tecnológico – apensado ao PL 4.344/1998;
· PL 2.061/2207, dispõe sobre a coleta, a reciclagem e a destinação final de aparelhos eletrodomésticos e eletroeletrônicos inservíveis – apensado ao PL 4.178/1998;
· PL 4.344/1998, do Senado Federal (SF), que dispõe sobre a coleta e disposição final de baterias usadas de telefones celulares, e dá outras providências (apensos PL 4.178/1998, PL 732/1999, PL 1.595/2003, PL 2.440/2003, PL 2.267/2007, PL 2.428/2007, PL 2.882/2008, PL 3.466/2008 e PL 4.323/2008).

Sobre a importância de resíduos, estão incluídos no mesmo processo legislativo do PL 203/1991, entre outros:
· PL 2.932/1992, que dispõe sobre a importação de resíduos industriais – apensado ao PL 1.814/1991;
· PL 447/1991, que veda a importação de resíduos tóxicos – apensado ao PL 1.814/1991;
· PL 1.814/1991, de autoria do Senado Federal (SF), que exige autorização prévia do Ministério da Saúde e do Órgão Ambiental Federal para a importação de resíduos para reciclagem industrial e outros fins, em conformidade com o artigo 225 da Constituição (apensos PL 4.131/1999, PL 447/1991, PL 1.137/1991 e PL 2.932/1992).

Além disso, algumas proposições com escopo mais amplo inseridas no citado processo abordam, direta ou indiretamente, os temas do lixo tecnológico e/ou da importação de resíduos. O PL 1.991/2007, de autoria do Poder Executivo, apenas como exemplo, dispõe sobre a importação de resíduos em seu art. 30.

O transporte e a importação-exportação de resíduos perigosos, cumpre adicionalmente mencionar, são objeto da Convenção da Basiléia, ratificada pelo Brasil desde 1993. A entrada no País de lixo eletrônico gerados nos EUA, se inclui substâncias tóxicas, está sujeita à aplicação dessa convenção internacional.

Esclareço que todos os projetos de lei relacionados a resíduos sólidos têm como destino mais provável a apensação ao PL 203/1991.

Fiquemos de olho, então.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Energia Elétrica

A Medida Provisória (MP) 450/08, que cria o Fundo de Garantia a Empreendimentos de Energia Elétrica, passa a trancar a pauta do Plenário da Câmara dos Deputados (CD) a partir de hoje, 6.

A MP autoriza as empresas federais a participar do fundo de garantia para realização de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no setor de energia elétrica.

Pelo texto da MP, o Ministério da Fazenda (MF) ficará responsável pela forma de entrada da União no fundo - dinheiro, títulos da dívida pública federal, participações minoritárias e ações que excedem o necessário para o controle de empresas federais.

O valor das garantias deverá cobrir apenas as obrigações decorrentes de investimentos na fase de implantação dos empreendimentos. O gestor do fundo será o Banco do Brasil (BB).

A MP 450/08 permite ainda o repasse de R$ 370 milhões para Santa Catarina, Estado que foi atingido pelas chuvas no ano passado; e transfere 2 bilhões de dólares da União para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), dinheiro que foi captado do Banco Mundial (Bird).

Se não for votada até 19 de maio próximo, a MP 450/08 perderá a sua eficácia.

Além dessa MP, o Plenário tem a pauta trancada pela MP 449/08, que perdoa dívidas de contribuintes com a União de valores iguais ou inferiores a R$ 10 mil.

Examine aqui a íntegra da MPV 450/2008.


Foto Zeca Ribeiro Neto

quinta-feira, 5 de março de 2009

Para as Mulheres

O Congresso Nacional (CN) realizou, hoje, 5, sessão especial para comemorar o Dia Internacional da Mulher.

Citamos que esta Casa lagislativa tem buscado, cada vez mais, dar o espaço devido às mulheres deste parlamento. Exemplos dessas iniciativas são a participação de uma representante da bancada feminina nas reuniões do colégio de líderes e a criação de uma comissão especial para analisar uma proposta de emenda constitucional (PEC 590/06), que assegura um lugar para mulheres na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados (CD) e do Senado Federal (SF). Além disso, a Mesa da Câmara está elaborando um projeto para criar uma Procuradoria Feminina.

Na sessão, que contou com a presença de autoridades como o presidente do Senado, José Sarney, a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Nilcéia Freire, foi entregue o Prêmio Bertha Lutz às seguintes mulheres:
- a embaixadora da Boa Vontade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Lily Marinho;
- a juíza maranhense Sônia Maria Amaral Fernandes Ribeiro;
- a jornalista, atriz e poeta Elisa Lucinda Campos Gomes;
- a secretária-geral do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cléa Anna Maria Carpi da Rocha; e
- a assistente social Neide Viana Castanha, que coordena o Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes.

A ex-primeira dama do Brasil e antropóloga Ruth Cardoso, falecida em 24 de junho de 2008, recebeu a homenagem in memoriam.

Segundo Adiamento

As divergências em torno da Medida Provisória (MP) 449/08 provocaram, ontem, quarta-feira, 4, o adiamento da sua votação pelo segundo dia seguido.

A referida matéria perdoa dívidas de até R$ 10 mil junto à União e faz outras mudanças nas leis tributárias.

Nossa expectativa é votar a MP na próxima terça-feira, 10.

Antônio Cearense

No ano de 2009, o Estado e o povo do Ceará festejam o centenário do nascimento de Patativa do Assaré, uma das maiores e mais significativas expressões da poesia popular brasileira. Antônio Gonçalves da Silva é o nome desse gênio, que veio ao mundo em Assaré, na região do Cariri, em 5 de março de 1909, e morreu em 2002, aos 93 anos de idade.

Mais do que poeta, repentista e cantador, Patativa foi um notável cearense, merecedor da admiração e do respeito a que fazem jus, e tantos outros que, pela grandeza humana e pelo fulgor da inteligência, dignificam a terra em que nasceram.

Justas, pois, são as homenagens com que o nosso povo comemora o centenário desse brilhante artista, que nos deixou um legado de sabedoria, de emoção e de beleza.

Como José Albano, outro magnífico bardo cearense, Patativa do Assaré também poderia dizer: Poeta fui, e do áspero destino / senti bem cedo a mão pesada e dura.

Filho de um modesto agricultor, já na primeira infância perde a visão do olho direito, como Camões. Aos 8 anos, torna-se órfão de pai e começa a lavrar a terra, para sobreviver; aos 12, alfabetiza-se durante os quatro meses em que frequenta a escola, à qual jamais voltaria; um ano depois compõe os primeiros versos; com 16 anos, compra uma viola e começa a cantar de improviso, em feiras e programas de rádio. Logo recebe a alcunha de “Patativa do Assaré”, pela poesia que lembra a beleza do canto dessa ave.

Apenas alfabetizado, não escrevia os poemas que compunha, às vezes com centenas de versos. Guardava-os de cor, dono que era de uma impressionante memória.

A vida inteira morou em Assaré, orgulhoso da roça que plantava anualmente, enquanto sua obra era estudada até em Paris, na Universidade de Sorbonne.

Na caudalosa poesia com que nos fala ao coração e à razão, Patativa valeu-se dos elementos de que se constitui a realidade do sertanejo: o amor, as festas, a chuva, a fé religiosa, mas também a seca, a fome, a pobreza econômica e as injustiças sociais.

Com a linguagem arrevesada de quem mal escrevia, humildemente cantou: Meu verso rastêro, singelo e sem graça / não entra na praça, no rico salão. / Meu verso só entra no campo e na roça, / Nas pobre paioça, da serra ao sertão.

Muito embora as poucas letras, revelava Patativa uma aguda percepção política, uma lúcida consciência social, como no poema Eu quero. Quero paz e liberdade, / Sossego e fraternidade / Na nossa pátria natal. / Desde a cidade ao deserto, / Quero o operário liberto / Da exploração patronal.

Imune às paixões partidárias, declarou certa vez: Não tenho tendência política; sou apenas revoltado contra as injustiças que venho notando desde que tomei algum conhecimento das coisas, provenientes talvez da política falsa (...).

A pesquisadores cearenses ocorreu a feliz ideia de pôr em letra de fôrma o que Patativa guardava na memória. Assim, publicaram-se os livros Inspiração nordestina, Cante lá que eu canto cá, Ispinho e Fulô, Digo e não peço segredo e Aqui tem coisa.

Esse, o registro com que, em nome do Ceará e do povo cearense, saudo Patativa do Assaré, pelo centenário do seu nascimento.

A esse gênio brasileiro, o nosso respeito e a nossa homenagem, pela inspiração com que soube transformar em poesia a realidade social do Nordeste e a grandeza humana do homem nordestino.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Trancada

Depois da manifestação de alguns líderes partidários,foi retirada da pauta, de ofício, a Medida Provisória (MP) 449/08, que perdoa as dívidas de contribuintes junto à União, de valor igual ou inferior a R$ 10 mil, além de outras mudanças na legislação tributária.

Como ela tranca os trabalhos, nenhuma outra matéria poderá ser votada. Assim, a Ordem do Dia foi encerrada.

Vale lembrar, entretanto, que outras sete medidas provisórias passam a trancar a pauta neste mês de março, o que poderá comprometer as votações de matérias prioritárias no Plenário da Casa, inclusive no mês de abril.

terça-feira, 3 de março de 2009

Primeira Semana de Março

O perdão de dívidas junto à União de valores iguais ou inferiores a R$ 10 mil é o destaque da pauta do Plenário da Câmara dos Deputados (CD) nesta semana. O benefício consta da Medida Provisória (MP) 449/08, que faz outras mudanças na legislação tributária, como a subvenção a produtores independentes de cana-de-açúcar da região Nordeste. A MP tranca a pauta do Plenário e pode ser votada amanhã, 4.

As dívidas perdoadas são tanto as das empresas quanto as das pessoas físicas, e o limite de R$ 10 mil será considerado separadamente para cada tipo de dívida: débitos inscritos na dívida ativa; contribuições sociais ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); e demais débitos administrados pela Receita Federal.

Quanto aos produtores de cana-de-açúcar, o custo total estimado é de R$ 77 milhões na safra 2008/2009. Segundo o governo federal, os plantadores de cana nordestinos enfrentam dificuldades devido à queda do preço do produto em níveis abaixo do custo de produção, mais elevado nessa região por ocorrer em áreas nas quais não é possível a mecanização total.

A MP 449/08 também institui a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na atividade de leasing, caso o valor total financiado corresponda a mais de 75% do custo do bem. A MP criou polêmica, entretanto, por não incluir outras reivindicações empresariais, como a possibilidade de aproveitamento do chamado "crédito-prêmio" do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Esse mecanismo, criado em 1969 para estimular a exportação, foi extinto em 1983. Os empresários entraram na Justiça pedindo o aproveitamento dos créditos por mais tempo, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou. Negociações com o governo também não resultaram em um texto que agradasse a classe empresarial. Estima-se que os créditos acumulados por esse benefício estejam entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões.

Outras sete medidas provisórias constam da pauta, mas não obstruem os trabalhos.

Entre os projetos de lei pautados, destaca-se o PL 836/03, que institui o cadastro positivo de consumidores e disciplina o funcionamento de bancos de dados e de serviços de proteção ao crédito. Um acordo de líderes deixou para este mês a votação do substitutivo ao projeto. A ideia da matéria é melhorar a análise de risco feita pelos bancos nos pedidos de empréstimo. Assim como a instituição consulta se há dívidas, ela poderia consultar os dados positivos do bom pagador, o que, teoricamente, reduziria o spread bancário na transação.

Também está em pauta o Projeto de Lei (PL) 2740/00, do Senado Federal (SF), que torna obrigatória a realização de cirurgias plásticas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em portadores de defeitos físicos congênitos ou adquiridos que causem sofrimento moral relevante. A proposta prevê que as operações serão financiadas com recursos dos orçamentos da União, dos estados, do Distrito Federal (DF) e dos municípios.

O terceiro projeto de lei previsto é o PL 939/07, da Procuradoria-Geral da República, que cria 39 cargos e funções comissionados na estrutura do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O Conselho foi instituído pela Emenda Constitucional 45, para controlar a atuação administrativa e financeira do Ministério Público. Os conselheiros também devem zelar pela observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência dos atos praticados pelos integrantes do Ministério Público da União (MPU) e dos estados.


Foto Eduardo Pelosi

Justiça

Tramita na Câmara dos Deputados (CD) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 324/09, do Senado Federal (SF), que determina que a presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) será exercida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e, na sua ausência, pelo vice-presidente do STF.

A proposta define também que caberá ao presidente do Supremo votar no caso de empate nas questões apreciadas pelo órgão. Hoje quem dá o chamado voto de Minerva é o ministro do STF que integra o CNJ.

Outra alteração prevista pela PEC é o fim do limite de idade para os membros do CNJ, que hoje devem ter mais de 35 e menos de 66 anos.

Conheça aqui a tramitação de PECs.

Consulte a íntegra da PEC 324/2009.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Pré-Datado

A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de editar súmula reconhecendo o direito a indenização por dano moral em caso de depósito antecipado de cheque pré-datado, anunciada no dia 17 de fevereiro último, vai ao encontro de uma série de projetos que tramitam na Câmara dos Deputados (CD).

Há pelo menos 23 propostas em análise na Casa, que buscam dar mais garantia ao consumidor que opta por essa modalidade de pagamento.

O mais antigo é o Projeto de Lei 1029/91, que proíbe o pagamento do cheque antes da data estipulada. Há 22 projetos sobre o assunto apensados a esse, sendo o mais recente PL 3554/08. Entre diversas medidas, a proposta autoriza quem emitir um cheque sem fundo a resgatá-lo no banco sacado, depois de fazer depósito equivalente ao valor de face do cheque mais juros. Os textos estão prontos para serem votados em Plenário.

Outro projeto sobre o assunto que tramita na Câmara é o PL 2365/07, que também proíbe os bancos de efetuar a compensação de cheques pré-datados antes da data estipulada pelo correntista. Pela proposta, as folhas de cheques deverão conter no verso a data indicada para o depósito, com a assinatura do titular da conta corrente. A data será a referência para as instituições bancárias.

O PL 499/07, regulamenta o cheque "pós-datado". A matéria explica que a denominação pré-datado é imprópria já que o título não é emitido com data anterior à sua emissão, mas sim posterior a esta. Para garantir que o prazo será cumprido, o projeto também determina que a data de pagamento seja escrita no verso do cheque. Além disso, devem constar, no documento, o número da nota fiscal da compra e o número do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), ou nome e número no Cadastro de Pessoa Física (CPF), em caso de negociação entre duas pessoas físicas. Caso apresente o cheque em data anterior à combinada, o credor ficará sujeito à multa equivalente a quatro vezes o valor do cheque emitido. O projeto prevê ainda que o cheque pagável a vista deve ser sacado em, no máximo, 45 dias a partir da emissão, quando emitido no mesmo lugar onde for pago. Quando emitido em lugar diferente, o prazo máximo deverá ser de 90 dias.

Leia mais: Cresce número de cheques devolvidos em 2009.

domingo, 1 de março de 2009

Lição de Ética

Prestar homenagem ao jurista Rui Barbosa permite-nos rememorar incontáveis lições de ética e de dignidade deixadas na vida pública nacional.

Nascido no Estado da Bahia, em 5 de novembro de 1849, nosso grande estadista – que sempre confiou no poder da palavra como instrumental essencial para ações futuras e com foco nas necessárias mudanças no cenário pátrio à época existente – participou de forma iquestionável de movimentos como a Campanha Abolicionista, a defesa da Federação, a própria fundação da República ou ainda a Campanha Civilista. Em 1º de março de 1923, falece em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro.

Incansável defensor da democracia e do valor liberdade, percorreu vários campos de atividades profissionais movido por nobres ideais. Com efeito, nas áreas do direito, da política, do jornalismo ou da diplomacia, sempre demonstrou extraordinária capacidade de trabalho.

Político vocacionado e atento às legítimas causas da sociedade, foi deputado, senador, ministro e candidato à presidência da República, provavelmente por acreditar na força transformadora de ações políticas direcionadas ao bem coletivo.

Representou o Brasil, com extrema competência, na 2ª Conferência da Paz, sendo também eleito, já no final de sua vida, Juiz da Corte de Justiça Internacional da Haia, da Liga das Nações.

Se a contribuição oferecida na esfera política para que o país trilhasse o caminho do progresso mostra-se decisiva, não menos relevante é a sua contribuição como estudioso da língua portuguesa. Isso por estar convicto de que o amor à língua nacional representa uma das dimensões mais expressivas de amor à pátria.

De fato, na Presidência da Academia Brasileira de Letras ou no parlamento, a cada discurso proferido e em marcantes construções linguísticas, o seu vasto conhecimento, uma vez mais, era destacado.

Ainda que seja complexa a tarefa de realizar uma síntese de um ideário voltado à construção de uma ordem jurídica liberal e democrática – tão característico no pensamento de Rui Barbosa – pretendo fazê-la a partir de trecho de um de seus memoráveis discursos.

Nesse sentido, com muita sabedoria, nos ensinou: Aqui não se chora. Aqui se reage. Aqui não se alçam bandeiras de lágrimas. Desfralda-se a bandeira da luta e da liberdade. A que me está nas mãos é a mesma de 1874, a mesma de 1888, a mesma de 1889, a mesma de 1893, a mesma de 1910, a mesma de 1916, a mesma de 1919; uma só, bandeira de cem batalhas, muitas vezes atraiçoada, mas ainda não vencida: a bandeira do voto livre; a bandeira da extinção do cativeiro; a bandeira da União na Federação; a bandeira da Constituição republicana; a bandeira de ódio às oligarquias e ditaduras; a bandeira da honra do Brasil no estrangeiro; a bandeira da revisão constitucional; a bandeira da verdade na República, da liberdade na democracia, da moralidade na administração. Numa palavra: a bandeira do futuro.

Mais do que saudade, Rui Barbosa deixa o exemplo daquele que esteve sempre ao lado do povo, erguendo com firmeza essa bandeira do futuro. Um futuro, cabe frisar, em que a liberdade, a democracia, o desenvolvimento econômico e a justiça social crescente fossem reafirmados com vigor.

No instante em que recordamos aspectos de uma biografia tão significativa, evidenciada por tantas realizações e por uma produção intelectual vastíssima, enalteço a essencial tarefa iniciada pelo museu-biblioteca A Casa de Rui Barbosa, que originou a Fundação de mesmo nome. Essencial por preservar o pensamento da obra de Rui Barbosa. Fundamental por permitir que se divulgue uma intensa história de vida, de luta e de conquistas.

A contemporaneidade de Rui Barbosa – ele que se antecipou ao seu tempo – reside em seus ensinamentos. Lições de profundo respeito ao Brasil.

Barbosa

Rui, o letrado beneditino das cousas de gramática, artificiosamente artista e estilista (...)

Lima Barreto (1881-1922), Diário Íntimo

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Libertas

A Câmara dos Deputados (CD) promove, no corredor da Presidência, a exposição Libertas, que apresenta imagens registradas por internos do Centro de Atendimento Juvenil Especializado de Brasília (Caje).

A mostra, que reúne trabalhos de oito jovens, foi organizada pelo fotógrafo Humberto Lemos, do Fotoclube f/508, como parte de um projeto de ressocialização de adolescentes infratores.

As oficinas fotográficas com os internos do Caje começaram em maio de 2008, com os objetivos de desenvolver o processo criativo, possibilitar a inclusão social e melhorar a qualidade de vida.

No total, os jovens produziram 550 imagens. Nenhuma delas teve a violência como tema. Acreditamos ter encontrado diversos estímulos que levaram os jovens a repensar, refletir e redimensionar as relações, entre alunos com diferentes características e necessidades de aprendizagem, destaca Lemos.

Humberto Lemos afirma que a fotografia é uma ferramenta eficaz de inclusão, seja por meio do aprendizado de uma nova atividade ou pela valorização da autoestima. No ano passado, em outro projeto de inclusão social, o Fotoclube f/508 apresentou, aqui na Câmara dos Deputados, uma exposição de fotos registradas por portadores de deficiência visual.

A exposição Libertas pode ser visitada até 26 de março, diariamente, das 9 às 17 horas, no corredor da Presidência da Câmara (edifício principal). A entrada é gratuita.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Terras

A Câmara dos Deputados (CD) analisa a Medida Provisória (MP) 458/09, que autoriza a transferência sem licitação de terrenos da União, com até 1,5 mil hectares, na Amazônia Legal, a quem esteja em sua posse antes de dezembro de 2004.

Pessoas jurídicas, servidores públicos e estrangeiros não são beneficiados. Ficam de fora do processo as terras da União reservadas às forças militares, as florestas públicas, as que tenham edificações e outras benfeitorias do governo federal, as ocupadas tradicionalmente por índios ou por comunidades quilombolas, e as que forem objeto de interesse público ou social a cargo da União.

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Daniel Maia, avalia que o processo de regularização de posse, que hoje normalmente demora de um a dois anos, será abreviado com as novas regras.

As propriedades com até um módulo fiscal serão repassadas gratuitamente, com algumas condições e sem licitação e vistoria, que só será exigida para áreas com mais de quatro módulos.

As porções com área superior a um módulo, desde que não ultrapassem 15 módulos, serão escrituráveis em nome do titular da posse, sem licitação, mediante o pagamento de um valor a ser determinado em regulamento, baseado em valor mínimo definido em "planilha referencial" de preços.

Áreas acima de 15 módulos fiscais também poderão ser transferidas, mas por meio de licitação, reservado ao posseiro o direito de preferência. A Constituição sujeita a alienação de áreas públicas com mais de 2,5 mil hectares à prévia autorização do Congresso Nacional (CN).

O valor do imóvel poderá, em qualquer caso, ser parcelado em até 20 anos, com prazo máximo de três anos para o pagamento da primeira parcela e correção monetária conforme índice definido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

As empresas, porém, não poderão regularizar terras ocupadas irregularmente na região com base na medida provisória. Para terem o direito de registrar a área, o produtor terá que explorar, de maneira efetiva, sozinho, com sua família, ou com o apoio eventual de empregados, a área a ser titulada; não poderá ter outro imóvel rural no País, nem beneficiário de programa de reforma agrária ou de regularização fundiária em área rural.

Por outro lado, os posseiros que adquirirem a titularidade de terras de acordo com as regras da MP, por dez anos ou até a quitação final do financiamento, não poderão negociá-las.

Perderão o direito à terra se nesse prazo deixarem de aproveitá-la de maneira adequada, infringirem a legislação ambiental ou direitos trabalhistas.

A medida provisória abre caminho para a regularização fundiária também nas cidades ao repassar, por meio de doação ou de concessão de uso, as terras da União em áreas urbanas consolidadas e de expansão urbana aos municípios, estas últimas apenas aos municípios que já tenha plano diretor aprovado.

Os municípios deverão promover a regularização fundiária nas áreas recebidas. Os lotes de até mil metros quadrados serão doados aos que os estivessem ocupando antes da edição da MP e que esteja na posse por pelo menos seis meses ininterruptos. Os maiores, desde que com até 5 mil metros, poderão ser vendidos por meio de licitação, tendo o titular da posse preferência no processo.

Os imóveis que não se enquadrarem nas condições anteriores só poderão ser alienados nos termos da legislação em vigor, com regular licitação.

A MP passa a trancar a pauta da Casa onde estiver tramitando - Câmara ou Senado - em 28 de março próximo.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Do Governo

Conheça as propostas que o governo federal defende para a reforma política. A seguir, as sugestões do Executivo apresentadas à Câmara dos Deputados (CD):

- Listas fechadas (PL 4636/09)
O projeto prevê a adoção do voto em listas partidárias preordenadas nas eleições proporcionais, também conhecido como sistema de listas fechadas. Por esse sistema, o preenchimento das vagas a que o partido ou coligação conquista nas urnas é feito seguindo uma ordem estabelecida previamente em convenção partidária.

- Compra de votos (PL 4633/09)
O projeto amplia a caracterização da compra de votos e atualiza os valores das multas aplicáveis aos infratores.

- Mudança de partido (PL 4635/09)
O projeto estabelece uma "janela" de um mês para a mudança de partidos pelos parlamentares que estejam exercendo seus mandatos e pretendam concorrer às próximas eleições. A proposta também deixa claro que a expulsão do partido acarreta perda de mandato, mas dá condições para que o parlamentar se defenda.

- Financiamento público (PL 4634/09)
O projeto estabelece o financiamento público exclusivo para as campanhas eleitorais, vedando totalmente aos partidos receberem de pessoa física ou jurídica doações em dinheiro ou equivalentes, inclusive por meio de publicidade de qualquer espécie.

- Inelegibilidade (PLP 446/09)
O projeto torna inelegíveis candidatos condenados em decisão colegiada ou em decisão de primeira instância transitada em julgado.

- Coligações (PL 4637/09)
O projeto acaba com as coligações partidárias para eleições proporcionais - de vereadores e deputados federais e estaduais. A proposta permite coligações para cargos majoritários, ou seja, governadores, prefeitos, presidente e senadores.

- Cláusula de barreira (PEC 322/09)
A PEC cria uma cláusula de barreira para os partidos políticos de acordo com seu desempenho eleitoral. Apenas partidos que obtivessem um desempenho mínimo teriam candidatos eleitos para os cargos de deputado federal, estadual ou distrital. Seriam necessários 1% de votos válidos em todo o País para deputados federais, desde que fossem alcançados também 0,5% dos votos válidos em pelo menos 2/3 dos estados.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Carnaval III

O carnaval é uma amostra, na terra, de como será o inferno no céu.

Júlio Camargo, A Arte de Sofismar

Desempenho Mínimo

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 322/09, apresentada pelo governo, faz parte do pacote de reforma política sugerido pelo Executivo, criando uma nova cláusula de barreira para os partidos políticos de acordo com seu desempenho eleitoral.

Pela proposta, apenas partidos que obtiverem um desempenho mínimo terão candidatos eleitos para os cargos de deputado federal, estadual ou distrital. Será necessário 1% de votos válidos em todo o País para deputados federais, desde que alcancem também 0,5% dos votos válidos em pelo menos 2/3 dos estados da Federação.

A nova regra valeria já para a eleição de 2010, e difere da cláusula de barreira aprovada em 1995, que previa 5% dos votos válidos. A regra antiga impedia o acesso dos partidos ao rateio proporcional do fundo partidário, do tempo gratuito em rede de rádio e TV, e do funcionamento de lideranças partidárias no Congresso.

Essa regra foi derrubada por uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 1351-3), e desde então se debate a propriedade de uma medida semelhante. Apenas sete dos 29 partidos existentes em 2006 (primeiro ano de aplicação da regra) atingiriam os requisitos.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), entre outros argumentos, disseram que a cláusula era ofensiva ao princípio do pluralismo político. Para o governo, a adoção de uma regra que impeça a posse dos deputados e não intervenha no funcionamento dos partidos é mais compatível com a tradição política brasileira.

A definição de uma cláusula de desempenho busca o fortalecimento dos partidos políticos de respaldo ideológico e a redução drástica do chamado fisiologismo, defende o ministro Tarso Genro, que assinou a mensagem enviada ao Congresso Nacional (CN).

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) analisará a admissibilidade da proposta. Se ela for aprovada, será criada uma comissão especial para avaliar o mérito da PEC, que depois precisará ser votada em dois turnos pelo Plenário da Casa.

Saiba aqui mais sobre a tramitação de PECs.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Meia Entrada

O Projeto de Lei (PL) 4571/08, do Senado Federal (SF), limita a venda pela metade do preço, conhecida por meia entrada, ao máximo de 40% do total de ingressos oferecidos ao público em salas de cinema, espetáculos de teatro e circo, museus, parques e eventos educativos, esportivos e de lazer.

A proposta estabelece novas regras para a meia-entrada à qual têm direito os estudantes e pessoas com mais de 60 anos. O projeto foi aprovado pelo Senado na forma de substitutivo.

O projeto também prevê a criação do Conselho Nacional de Fiscalização, Controle e Regulamentação da Meia-Entrada e da Identificação Estudantil. O órgão, a ser criado pelo Executivo, terá a responsabilidade de definir critérios para a padronização e distribuição da identidade estudantil, entre outras atribuições.

O objetivo é moralizar a chamada "carteira de estudante", centralizando sua emissão, a fim de evitar a proliferação descontrolada de documentação falsa ou duvidosa.

O projeto tem regime de prioridade e será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Examine aqui a íntegra do PL 4571/2008.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Devastação

A Câmara dos Deputados (CD) analisa o Projeto de Lei (PL) 4519/08, que reduz de 80% para 35% a reserva legal das áreas da Região Amazônica que já sofreram a ação do homem.

A intenção da matéria é a diminuição da devastação de áreas virgens, beneficiando os proprietários rurais. Como na Amazônia a área de conservação deve corresponder a 80% da propriedade rural, o produtor tem de ampliar suas terras para poder crescer. Essa regra, segundo o projeto, aumenta a derrubada de mata virgem.

A Amazônia possui hoje cerca de 50 milhões de hectares de áreas desmatadas. Desse total, cerca de 45% é representado por pastagens produtivas; 25%, por plantações diversas; e 30%, por áreas degradadas, geralmente cobertas por capoeiras, resultante de pastagens e cultivos abandonados há décadas.

Nessas terras que sofreram a ação do homem, toda a mata primária foi suprimida e a capoeira ou mata secundária que compõe sua cobertura vegetal é formada por pouca variedade de espécimes, onde predominam imbaúbas e palmáceas, como o babaçu, e quase nenhum animal.

Equiparar a Amazônia ao Cerrado, região para a qual se exige apenas 35% de reserva legal, permitiria melhor aproveitamento da área, segundo o PL.

A proposta, que tramita em caráter conclusivo, foi apensada ao Projeto de Lei 4006/08. As duas propsotas serão analisadas pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Examine a íntegra do PL 4519/2008.

Carnaval II

O carnaval é a única festa nacional que consola a gente do calor, da queda do mil-réis, da política, dos programas de salvação pública e dos desastres de aviação militar.

Ribeiro Couto (1898-1963), Conversa Inocente

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Chave do Futuro

A criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o IBAMA, em 22 de fevereiro de 1989, passou a representar, de fato, o marco do início da política ambiental brasileira.

Antes de seu surgimento, a gestão ambiental brasileira não era integrada, mas fragmentada em vários departamentos ministeriais, com uma problemática coordenação a partir da Secretaria do Meio Ambiente, a Sema, vinculada ao Ministério do Interior. Digo “problemática”, já que o Ministério do Interior tinha como meta principal o desenvolvimento. A sustentabilidade se fazia preocupação acessória.

O Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) e a Superintendência de Pesca (Sudepe), ambos vinculados ao Ministério da Agricultura, e a Superintendência da Borracha (Sudhevea), vinculada ao Ministério da Indústria e Comércio, eram órgãos subordinados à SEMA, quando o IBAMA foi criado.

Duas décadas após o fim dessa confusão institucional, o IBAMA ganhou parte da força que precisa para exercer suas responsabilidades. Por conta desse fortalecimento, contudo, é criticado por muitos que têm seus interesses contrariados.

Afinal, ao IBAMA cabe autorizar, ou não, obras de infraestrutura como represas, ferrovias e hidrovias. E é, com a sua capilaridade, o principal responsável por divulgar, na sociedade brasileira, os limites daquilo que é aceitável ou não, em termos ambientais.

Essa onipresença técnica, fiscalizatória e educativa vem sendo desempenhada pelo IBAMA mesmo onde é tímida a presença do Estado, como nas florestas. Mas o IBAMA não quer ser confundido com um bastião do fanatismo ambientalista; ao contrário, todo o seu trabalho é pela defesa da racionalidade no uso dos recursos naturais.

Para cumprir sua missão, o Instituto conta com inúmeros cientistas de diversas áreas em seu quadro de funcionários, todos trabalhando para a sustentabilidade do Brasil.

O IBAMA, especialista em sustentabilidade, tende a ganhar força em todos os campos da atividade humana, seja na cultura ou na economia, pois a preocupação com a renovação dos recursos ambientais, hoje em dia, é um ingrediente básico da sociedade consciente. De nada adianta, por exemplo, apostar no etanol ou no petróleo do pré-sal, neles investindo esperança e recursos públicos durante décadas, se essas formas de combustível não forem sustentáveis no tempo. Perceba-se, nesses casos, e em outros, a importância estratégica do IBAMA e dos seus técnicos.

Nas décadas de 1970 e 1980, o Brasil tentou construir seu desenvolvimento com obras como a Transamazônica e as usinas nucleares. O “agente laranja”, usado pelos americanos na guerra do Vietnã, foi usado na área da represa de Tucuruí, sem consideração pelas pessoas e animais que lá viviam. Os jacarés do Pantanal estavam às vias de extinção. O acidente com material radioativo hospitalar em Goiânia mostrava o descaso para com os resíduos tóxicos, e Chico Mendes era assassinado por defender a floresta.

A pressão interna e internacional acabou por motivar a criação de um órgão ambiental, sem o qual é inconcebível, no século XXI, pensar os rumos da economia brasileira.

Em 2007, o Brasil desmatou 11.224 quilômetros quadrados de florestas, quase a metade do que desmatou em 1988, um ano antes da criação do IBAMA. Seguido pela criação do Ministério do Meio Ambiente, em 1992, o IBAMA torna cada vez mais positivo o papel do Brasil na preservação do planeta. Nosso arcabouço legal ambiental adapta-se cada vez mais à estratégia de sustentabilidade.

O Conselho Nacional de Recursos Hídricos, a Agência Nacional das Águas, o Conselho Nacional de Recursos Genéticos, o Serviço Florestal Brasileiro e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade são sinalizações rumo a um futuro mais promissor do que aquele prometido nos tempos do desenvolvimento a qualquer custo.

Não temo em afirmar que o Ibama é peça chave desse futuro.