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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Rodolfo Teófilo

Hoje, dia 6 de maio, assinala o aniversário de nascimento de um dos pioneiros do sanitarismo no Brasil.

Refiro-me a Rodolfo Teófilo, que no início do século 20 travou uma formidável luta contra a disseminação da varíola, conseguindo evitar milhares de mortes no Ceará e que se notabilizou também como emérito escritor, industrial, divulgador científico e defensor do abolicionismo.

Rodolfo Marcos Teófilo nasceu na Bahia, em 1853, mas bem cedo foi levado para Fortaleza e com justiça é considerado por todos um grande cearense. Órfão aos 11 anos, chegou a ter de abandonar temporariamente os estudos para trabalhar no comércio. Retomou-os, porém, e obteve aprovação para fazer o curso superior na Bahia, onde, aos 22 anos, graduou-se em Farmácia.

À época do nascimento de Teófilo, seu pai, que era médico, estava envolvido no combate à febre amarela. Algum tempo depois, ainda menino, ele acompanhou as notícias sobre a epidemia de cólera que matou quase um terço dos seis mil habitantes de Maranguape, em 1862; e, já formado, viu a varíola vitimar um quinto da população de Fortaleza, em 1878.

Convencido de que só com imunização seria possível vencer essas doenças, Teófilo esbarrou no desinteresse e até na oposição do poder público e de uma parcela da sociedade. Aprendeu, então, a fabricar a vacina contra a varíola, e, a partir de 1901, ajudado apenas por sua mulher e um criado, saiu a aplicá-la nos moradores de Fortaleza, batendo de casa em casa, bairro por bairro. Às vezes, a resistência era tão grande que ele chegava a pagar aos que aceitassem a vacinação.

Assim foram imunizadas quase duas mil pessoas, com resultados extraordinários: no ano seguinte, não houve um único caso de morte por varíola em Fortaleza, a comprovar que Teófilo tinha razão. Isso lhe valeu o apoio de voluntários na Liga Cearense contra a Varíola, permitindo levar a campanha ao interior do Estado, embora não o livrasse de manifestações de desconfiança e até de insultos divulgados pela imprensa.

A par dessa ação memorável contra uma doença terrível e os preconceitos de uma parte da população, Rodolfo Téofilo mantinha uma surpreendente atividade em diversas outras áreas.

Como escritor, publicou quase trinta livros, ora relatando os momentos difíceis da campanha de vacinação, ora analisando a tragédia da seca nordestina, ou, ainda, enveredando, com rara habilidade, pela ficção. Integrou a Padaria Espiritual, uma associação literária caracterizada pelo comportamento irreverente, a Academia Cearense de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Ao lado da esposa, Teófilo participou também da luta abolicionista, fazendo parte da Sociedade Libertadora Cearense. E, como se sabe, graças à atuação de idealistas como ele, a província do Ceará foi a primeira no Brasil a abolir a escravidão.

Rodolfo Teófilo morreu em Fortaleza, em dois de julho de 1932. No ano de 2003, poetas e escritores do município de Maracanaú iniciaram um movimento pela restauração da casa onde ele morou, com a posterior transformação em espaço cultural. Em 2005, a casa foi reformada, mas sua efetiva utilização com finalidades culturais, em caráter permanente, ainda não se processou.

Rodolfo Teófilo é um exemplo para as atuais e as futuras gerações, pela disposição de enfrentar todas as adversidades em favor do bem público; pela qualidade de sua obra literária; pela denúncia dos efeitos da seca e da doença no Nordeste; pelo engajamento no abolicionismo.

Registro, por isso, o transcurso dos 157 anos de seu nascimento, como forma, também, de dar mais divulgação a uma vida e a uma obra tão importantes.

O Ceará e o Brasil devem muito a Rodolfo Teófilo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Professora Adísia

Hoje quero falar do entusiasmo e vigor de uma jovem senhora, motivo de orgulho para os cearenses, e que acaba de completar seus 80 anos de vida, como ela mesma faz questão de dizer – sem arrependimentos.

Trata-se de Maria Adísia Barros de Sá, a professora Adísia – tratamento de sua preferência –, primeira mulher a trabalhar como jornalista numa redação no Ceará, dona de muita disposição e com o sentimento de que ainda há muita coisa a viver.

Mulher de personalidade forte, Adísia tem uma história de dedicação e amor pelo jornalismo, provados até mesmo quando comunicou à família sua decisão profissional, para “tristeza” de sua mãe, que reservara à filha o destino de muitas mulheres de sua época: casar e ter filhos. O pai, ao contrário, a incentivou, dando-lhe como presente uma máquina de escrever.

Desde os tempos de escola, ensaiava seus atributos como escritora. Naquela ocasião, produzia seu próprio jornal: MABS – iniciais de Maria Adísia Barros de Sá. Estudante secundarista, começou a frequentar as reuniões da Ala Feminina da Casa Juvenal Galeno. Nos saraus literários, mulheres escritoras e colaboradoras dos jornais e revistas da época, em Fortaleza, reuniam-se para ler a obra de outros autores.

Começou sua carreira profissional em 1955, no jornal Gazeta de Notícias. Em seu primeiro emprego, assinava como Moema uma coluna diária. Passou, posteriormente, pelo jornal O Estado e O Dia, até fixar-se no O Povo.

Em 1994, Adísia inaugurou a função de ombudsman no jornal cearense O Povo. Foi reconduzida no ano seguinte. Voltou a exercer a função por outras duas vezes: 1997 e 2000. Hoje é ombudsman emérita do jornal.

Professora de Filosofia, lutou pela criação do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (UFC). Foi, também, a primeira mulher a ingressar na Associação Cearense de Imprensa (ACI).

Envolveu-se no movimento sindical, escreveu e organizou mais de uma dezena de livros nas áreas de filosofia, jornalismo, ensaios, literatura. A jornalista também ocupou diversos cargos de direção em entidades de classe.

No fim dos anos 80, Adísia iniciou seu trabalho no rádio, quando recebeu um convite para participar do programa Debates do Povo, na rádio AM do Povo, na cidade de Fortaleza. Hoje, sua voz é conhecida e aguardada por milhares de pessoas.

Sua fama é de mulher valente, briguenta, mas é lembrada, acima de tudo, por sua justeza de caráter e sua ética inabalável.

Parabéns à nossa mestra Adísia. Que seus ensinamentos continuem sendo transmitidos pelas ondas do rádio por muitos e muitos anos.

domingo, 13 de setembro de 2009

Roberto Matoso

É com pesar que registro o prematuro falecimento, aos 47 anos, do amigo Roberto Matoso, empresário e empreendedor conceituado de nosso Estado, acontecido há pouco, no município de Aparecida de Goiânia, onde estava a trabalho.

Dificilmente encontrávamos Matoso sem seu sorriso largo. Bom anfitrião, era na casa de sua mãe, dona Zenilde Matoso, que os republicanos se reuniam para gravar os programas de nosso Partido no Ceará.

Proprietário de uma empresa de consultoria, o economista Roberto Matoso era uma referência em gestão empresarial.

Fez um excelente trabalho à frente da pasta do Trabalho e Empreendedorismo no governo cearense, à época do governador Lúcio Alcântara. Neste período, compreendido entre 2003 e 2006, implantou inúmeros programas pioneiros, que foram concebidos, planejados e postos em prática, nas áreas de educação profissional, geração de trabalho e renda e desenvolvimento econômico e social. Dentre os principais destacam-se:

CEARÁ EMPREENDEDOR: destinado ao fortalecimento do empreendedorismo com foco no microcrédito assistido;

COMPRE DA GENTE: apoio comercial as micro e pequenas empresas;

PORTAS ABERTAS: incentivo a inserção de públicos com maiores dificuldades de colocação no mercado de trabalho, a exemplo dos jovens de 16 a 24 anos e das pessoas com deficiência;

REDE CEARÁ DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL: integração das entidades que atuam com educação profissional;

ARTESANATO: desenvolvimento de um novo enfoque, visando a melhoria da qualidade de vida do artesão e a busca por novos mercados consumidores para seus produtos.

À frente da Secretaria estadual do Trabalho e Empreendedorismo, entre outros títulos, foi agraciado por quatro anos consecutivos como Destaque na Administração Pública, na categoria Secretário de Estado. Matoso chegou a receber, também, a Medalha Boticário Ferreira, a mais alta comenda da Câmara dos Vereadores de Fortaleza, e a Medalha José Pompeu de Sousa Brasil, concedida pelo Governo do Estado do Ceará.

Após deixar o Governo Lúcio Alcântara, desenvolveu programas de gestão superior, como o projeto Gestão Avançada, que reúne a nova mentalidade de empresários e executivos bem sucedidos do mercado nacional, integrando as mais avançadas técnicas e teorias a uma prática experimentada por empresas líderes de mercado nos setores de comércio, indústria, agro-indústria e serviços de grande porte.

Empreendedor de carreira, tem em seu currículo projetos de gestão, estratégia e desenvolvimento humano em 21 estados brasileiros, acompanhando centenas de empresas dos mais diversos ramos de atividade.

Sua experiência envolvia orientação de gestão para os setores como construção civil, confecções, comunicação, turismo, distribuição, concessionárias de veículos nacionais e importados, mineração e indústria química.

Roberto Matoso tem um histórico de forte atuação em movimentos de promoção da cidadania. Foi presidente do Conselho Estadual do Trabalho por dois mandatos. Foi diretor de algumas das mais representativas entidades de classe do Ceará, como a Federação das Associações do Comércio, Indústria e Agropecuária do Ceará (Facic), a Associação dos Jovens Empresários (AJE), o Centro Industrial do Ceará (CIC); e membro-fundador da Escola de Formação de Governantes do Ceará.

Articulista do jornal O Estado, em sua coluna Estratégia e Gestão, na última publicada, Roberto Matoso lembrava a todos que em 15 de setembro, o Dia do Cliente, era data especial no calendário desde 2003. No tópico seguinte, Matoso faz questão de frisar: “Dia do Cliente é todo Dia”, pois, no mercado financeiro, o cliente deve estar sempre em primeiro lugar.

E é essa sua visão, de garantir sempre a satisfação do próximo, que será lembrada por milhares e milhares de multiplicadores que ele preparou pelo Brasil afora.

À sua mãe, dona Zenilde, e às suas pequeninas filhas Bárbara e Beatriz, os meus mais sinceros sentimentos de solidariedade.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Lei Maria da Penha

Completa três anos, hoje, dia 7 de agosto, a Lei 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha.

Proposta pelo Poder Executivo e aperfeiçoada pelo Congresso Nacional (CN), ao entrar em vigor ela escancarou aos olhos do País o grave problema da violência doméstica, e passou a fornecer instrumentos concretos para a proteção das vítimas e a punição dos criminosos.

Na exposição de motivos encaminhada ao presidente da República para justificar a apresentação do projeto, em 2004, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres citou alguns dados de pesquisas realizadas à época, e que vale a pena recordar, mesmo rapidamente.

Das agressões físicas contra mulheres, 63% aconteciam nos espaços domésticos e eram praticadas por indivíduos relacionados pessoal e afetivamente com as vítimas.

Pelo menos 6,8 milhões de brasileiras já haviam sido espancadas ao menos uma vez.
No mínimo 2,1 milhões de mulheres eram espancadas a cada ano no País, o que implicaria, em média, uma agressão a cada 15 segundos.

É possível, até provável, que esses números não tenham sido reduzidos substancialmente em apenas três anos de vigência da lei, pois o problema envolve também fatores sociais e culturais de difícil reversão. É certo, entretanto, que a resposta da sociedade aos agressores domésticos tornou-se muito mais pronta e consistente.

Levantamento divulgado no final do mês de março próximo passado, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), indicou que tramitavam no Judiciário brasileiro 150.532 processos relacionados com a Lei Maria da Penha; desses, cerca de 42 mil haviam gerado ações penais, e mais de 19 mil motivado ações cíveis. Além disso, quase 20 mil mulheres haviam recebido proteção contra seus agressores.

Só o número de condenações parece baixo, representando apenas 2% do total de ações concluídas, mas, como advertiu o próprio CNJ, precisa ser devidamente analisado. Ocorre que, em grande número de casos, a proteção à vítima ou o afastamento do agressor impossibilita novos episódios de violência, atendendo, portanto, o principal objetivo do processo.

De qualquer forma, ao colocar em xeque a certeza de impunidade, que era disseminada até três anos atrás, a Lei Maria da Penha tende a se tornar cada vez mais eficaz também do ponto de vista preventivo.

É o que sugere a própria Maria da Penha Fernandes (foto), a bioquímica cearense que deu nome à lei por ter processado o ex-marido agressor e levado o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Em recente seminário sobre o tema, ela observou que o número de agressões não está aumentando, mas aparecem mais casos porque antes as mulheres os omitiam, e agora os denunciam.

Esse constitui, sem dúvida, um dos primeiros e mais importantes resultados da mudança de legislação: as mulheres deixaram de se submeter em silêncio à violência doméstica, perceberam que hoje têm respaldo para levar os agressores à justiça. Ou seja, o que antes era aceito como uma espécie de “fatalidade” passou a ser tratado como o crime que realmente é.

Convém repetir, aliás: violência doméstica é crime, não importando o pretexto que o agressor possa apresentar!

À medida que toda a população estiver conscientizada a esse respeito, o número de casos começará efetivamente a cair, pois o agressor não poderá mais contar nem com a impunidade legal nem com a passividade social que ainda há pouco rondava as agressões no âmbito familiar.

Um bom sinal de que tal mudança começa a acontecer é uma pesquisa indicando que 68% dos brasileiros já têm conhecimento da Lei Maria da Penha. Além disso, os debates em torno do assunto mudaram o comportamento do próprio Poder Público, que trata de se organizar para a correta aplicação da nova lei.

No final de março último, 23 tribunais brasileiros já contavam com varas especiais de violência doméstica e familiar contra a mulher, e o Ministério da Justiça estimava recursos da ordem de R$ 42,5 milhões para aplicar, até o ano de 2011, na proteção à mulher.

Devemos saudar, por tudo isso, o terceiro aniversário da sanção da Lei Maria da Penha. Ao apontar para uma grande mazela brasileira, ela está conseguindo mudar um comportamento altamente pernicioso, e colaborando, de modo significativo, para a construção de uma sociedade igualitária.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Maracanaú

É com imenso prazer que destaco aqui o significativo trabalho que vem sendo realizado no município cearense de Maracanaú, pelo prefeito Roberto Pessoa. Município da Região Metropolitana de Fortaleza, pólo industrial e segunda maior economia do Ceará.

Desde que assumiu a administração municipal, Roberto Pessoa, já em seu segundo mandato, e eleito por praticamente 90% dos eleitores, mudou a realidade local. Maracanaú hoje é referência no combate à pobreza e destaque internacional quando o assunto refere-se a políticas de combate à desigualdade social.

Hoje, quinta-feira, dia 6 de agosto, durante o Simpósio Internacional sobre Desenvolvimento Social, que acontece em Brasília, o município de Maracanaú será conhecido mundialmente pelo desenvolvimento de políticas sociais capazes de superar a pobreza e promover a inclusão social.

Estas experiências foram comprovadas pelos jornalistas Francho Báron, do jornal espanhol El País, e Adriana Thomasi, da agência de notícias portuguesa Lusa, que atuam na imprensa internacional.

Em visita à cidade, no início desta semana, os jornalistas almoçaram no Restaurante Popular, que serve diariamente 600 refeições ao preço de R$ 1,00 cada; e conheceram a reserva Santo Antônio do Pitaguary, onde são desenvolvidos projetos específicos para a comunidade indígena, que vende sua produção para a Prefeitura Municipal, gerando renda e desenvolvimento social.

Os jornalistas também foram ao Pólo de Convivência do Timbó, uma das cinco unidades do município que desenvolve atividades educativas, artísticas, esportivas e de inclusão digital para crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, integrantes de programas como o de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), o ProJovem Adolescente e o Bolsa Família; e visitaram lares de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família.

Todos esses programas sociais servem para articular a capacitação profissional e melhorar os setores da agricultura familiar. Ao fazer isso, a Prefeitura contribui para a emancipação social das famílias, incentivando as pessoas a produzirem renda e saírem do cadastro único do Bolsa Família.

Medidas como essas têm sido fundamentais para o enfrentamento da pobreza no município e criação de uma rede de proteção da família, que é beneficiada para desenvolver a sua autonomia.

Sou testemunha de que, desde que assumiu, o prefeito Roberto Pessoa tem se empenhado em atender as demandas da população do Município, dando prioridade a um público específico, porém numeroso: 64% da população de Maracanaú possui até 29 anos.

E mais boas novas vêm por aí: Maracanaú será o primeiro município do País a universalizar o segundo tempo de estudo, servindo como laboratório para o Ministério do Esporte.

Assim, louvo o trabalho que vem sendo executado, já beneficiando os quase 200 mil habitantes de Maracanaú.

Parabéns, prefeito Roberto Pessoa.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Rachel

Registro aqui uma breve homenagem a Raquel de Queiroz, um dos maiores nomes da literatura nacional e que se consagrou como a primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras.

A eleição ocorreu no dia 4 de agosto de 1977, trinta e dois anos atrás, vindo confirmar a força e o talento de uma cearense que deixou grande exemplo de coragem, coerência e humanismo em nosso País.

Na Academia, ocupou a Cadeira nº 5, fundada por Raimundo Correia e ocupada por Bernardo Guimarães, Osvaldo Cruz, Aloísio de Castro, Cândido Mota Filho, e, atualmente, por José Murilo de Carvalho.

Raquel de Queiroz deixou como legado uma obra literária que soube captar com maestria a vida e a alma nordestinas, descrevendo com pungente realismo a luta pela sobrevivência de populações submetidas a privações econômicas extremas.

O retrato da seca que pintou em O Quinze foi a um só tempo uma obra-prima das letras e um poderoso manifesto em defesa da dignidade e da solidariedade humana. Depois do que ela escreveu, já não seria possível ignorar a fome e a miséria presentes nos lares de tantos brasileiros.

O corpo principal da obra de Raquel de Queiroz está composto dos romances O Quinze (1930), João Miguel (1932), Caminho das Pedras (1937), As Três Marias (1939), Dôra, Doralina (1975), O Galo de Ouro (1985) e Memorial de Maria Moura (1992), além de livros infanto-juvenis, de peças para teatro e de extensa produção de crônicas, publicadas em diversos jornais e revistas de circulação regional e nacional.

Raquel de Queiroz faleceu em novembro de 2003, com quase 93 anos, e explorou todas as possibilidades estéticas e existenciais que estavam a seu alcance. Foi pioneira nas artes, na política e na vida pessoal, e obteve amplo reconhecimento por sua obra, manifesto tanto no sucesso de público quanto na admiração da crítica.

Entre os diversos prêmios que recebeu destacam-se: melhor romance, pela Fundação Graça Aranha, em 1931; Prêmio Saci, por montagem teatral, em 1953; Prêmios Camões e Juca Pato, igualmente em 1953, e o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, em 1957.

Raquel de Queiroz recusou o convite feito pelo Presidente Jânio Quadros para o Ministério da Educação. Em 1966, foi nomeada delegada do Brasil na 21ª Sessão da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, junto à Comissão dos Direitos do Homem. Em 1967, passou a integrar o Conselho Federal de Cultura, onde ficaria até 1985.

Em 1996 recebeu o Prêmio Moinho Santista, pelo conjunto da obra, e em 2000 recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Em 1994, a Rede Globo de Televisão levou ao ar a minissérie Memorial de Maria Moura, numa bem-sucedida adaptação do romance com o mesmo título.

Mas se dermos demasiada ênfase às honrarias que lhe foram concedidas, não faremos justiça à simplicidade e à elegância com que Raquel de Queiroz escreveu e protagonizou os êxitos e desafios ao longo da vida. Ela foi, acima de tudo, um exemplo de humanidade e de profunda conexão com as pessoas e os ambientes à sua volta, no Ceará, no Rio de Janeiro ou onde quer que estivesse.

Assim sendo, quando exaltamos o pioneirismo e a coragem da escritora de vanguarda, não podemos perder de vista que seu exemplo foi o de uma mulher que conseguiu produzir a tão almejada síntese entre o sucesso profissional e as realizações de mãe, amiga, filha, esposa e companheira leal dos que, como ela, alinharam-se na trincheira do humanismo.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Silas Munguba

O Desafio Jovem do Ceará, casa de recuperação de dependentes químicos em Fortaleza, está de luto.

Morreu, no último 15 de junho, o seu idealizador e fundador, doutor Silas Munguba, vítima de falência múltipla dos órgãos, motivada por uma insuficiência renal.

Um guerreiro diante da difícil batalha que é combater dependência química entre os jovens, Silas Munguba deixará não somente a saudade entre familiares, amigos e admiradores, mas dezenas de histórias de vidas, antes sem perspectivas, que foram cuidadas por suas mãos.

Silas Munguba é um exemplo. Sua vida foi pautada pela solidariedade, sempre às voltas com problemas sociais dos jovens cearenses. Era um batalhador das causas públicas. Contribuiu para que famílias superassem os problemas relacionados à dependência de drogas. Confiou na reabilitação das pessoas e transformou um sonho pessoal em realidade.

Nascido em Manaus, no Amazonas, doutor Silas Munguba era casado e pai de quatro filhos. Ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, o médico obstetra adotou Fortaleza como sua residência, onde fundou o Desafio Jovem do Ceará, no dia 16 de junho de 1975.

A criação do Desafio Jovem foi motivada por uma reportagem do jornal O Unitário, de Fortaleza. Segundo bem relata o site da instituição (http://www.desafiojovemdoceara.org.br/), por volta de 1971, Silas Munguba leu uma reportagem afirmando que no mundo havia um bilhão de jovens usuários de drogas, para uma população de 4 bilhões de pessoas, isto é, para cada 4 pessoas uma seria usuária de drogas.

Dr. Silas, que já era médico há 20 anos, e até essa época nunca havia tido contato com usuários de drogas, ficou muito preocupado. Começou a ler livros sobre o tema, a estudar o assunto, a fazer anotações sobre as drogas e seus efeitos.

Certo domingo, decidiu falar para seus alunos na Escola Bíblica Dominical (era professor de jovens da Igreja Batista de Porangabussu) sobre drogas. Quando terminou, um rapaz que o assistiu, disse jamais ouvira falar sobre drogas daquela maneira, e queria que ele fosse ao colégio que ele lecionava. Cada colégio que visitava, outros professores o convidavam para falar em mais escolas, e assim, iniciava-se uma longa jornada de palestras pelo Brasil.

Passou a ser conhecido como o médico que falava sobre drogas. Sendo em seu consultório procurado por pais de jovens e pessoas que usavam drogas. Foi neste momento em se deparou com um dilema. Sabia quais eram os efeitos das drogas e o que fazer para as pessoas não entrarem neste mundo. Mas ele queria mais. Queria descobrir uma fórmula para que as pessoas saíssem do mundo das drogas. Surgiu, então, a ideia de se criar uma casa de recuperação.

Certa ocasião, chegou à Igreja de Porangabussu um senhor, de nome João Furtado, que vinha de Brasília e havia participado da inauguração do Desafio Jovem de Brasília, fundado pelo missionário americano David Wilkerson. Decidiram, então, iniciar esta tarefa em nosso Estado. Alugaram uma chácara em Parangaba, e montaram uma casa com ajuda de algumas pessoas de igrejas evangélicas.

Durante muitos anos, da Bahia ao Acre, a única casa de recuperação de dependentes químicos foi o Desafio Jovem do Ceará. Sempre cuidando da dependência química, transmitindo conceitos cristãos, procurando implantar e desenvolver o espírito de cidadania, o Desafio Jovem do Ceará aos poucos foi se instituindo como organismo de referência.

O Desafio Jovem, sempre contou com a boa fé cristã e com os preceitos de cidadania de muitas pessoas e de organizações. Em 1986, na sede do Desafio Jovem do Ceará, situada na avenida Dedé Brasil 565- Parangaba, teve início um trabalho de atenção às crianças, filhos de pais que moravam na circunvizinhança, cujas mães precisavam trabalhar fora. Assim, a Creche Semear começou as suas atividades, e mais tarde tornou-se Creche Escola Semear.

Durante mais de 20 anos, o Desafio Jovem do Ceará atendeu os dependentes químicos e alcoolistas, apenas através do Núcleo de Internamento. Em fevereiro de 1998, teve início o Núcleo Ambulatorial, com o objetivo de atender dependentes químicos e alcoolistas que precisavam e desejavam o tratamento, mas não podiam ser internados, por não desejarem ou não precisarem desta intervenção.

Hoje, uma equipe interdisciplinar formada por capelão, orientadores cristãos, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, professores, atende aos recuperandos internos e externos, bem como às suas famílias. A esta equipe, foram acrescentados alguns profissionais, que são exclusividade dos internos: professor de violão, de música, informática, educação física e monitores que se revezam a cada 24 horas.

O Desafio Jovem do Ceará é uma instituição evangélica, filantrópica, sem fins lucrativos, que se dedica ao trabalho de prevenção ao uso indevido de drogas, e à recuperação física, psicológica e espiritual do dependente químico e alcoolista, bem como em sua reintegração social, sem distinção de raça, condição social, política ou denominação religiosa.

Considerada uma das mais acreditadas ONGs, e principal referência social relativa à questão no Ceará, o Desafio Jovem não funciona como hospital, casa de repouso, nem como presídio. É uma comunidade terapêutica na qual se vive em comunhão.

Certamente a equipe do doutor Silas, bem formada e treinada, dará prosseguimento ao sonho ali posto. Sua falta será sentida sempre, mas a caminhada dá-se por iniciada. Muitos outros trilharão os caminhos demarcados por ele, que continuará iluminando os sonhadores e entusiastas de novos desafios.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Haroldo Juaçaba

As comunidades médica, universitária e a população do Ceará perderam nesta segunda-feira, primeiro de junho, uma de suas maiores referências da área de saúde. Morreu o fundador e atual presidente do Instituto do Câncer do Ceará (ICC), doutor Haroldo Juaçaba.

Amigo pessoal de meu falecido avô, Waldemar Alcântara, e de meu pai, Lúcio Alcântara, doutor Haroldo nos deixou aos 90 anos, de insuficiência respiratória, complicação resultante do avanço do mal de Alzheimer.

Natural de Fortaleza, doutor Haroldo Juaçaba era graduado pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. Fez residência médica no Riverside Hospital, Kentucy, Estados Unidos, no setor de Cirurgia Geral.

Com especialização nas áreas de cirurgia e cancerologia, foi professor da Terceira Cadeira de Clínica Cirúrgica e de Anatomia Topográfica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), e de Anatomia na Escola de Enfermagem São Vicente de Paulo. Coordenou o Internato em Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFC e a Residência Médica em Cirurgia do Hospital das Clínicas.

Professor Emérito da Universidade Federal do Ceará, doutor Haroldo Juaçaba foi um dos mestres da medicina cearense. Vocacionado para o ensino das ciências médicas, fez parte do grupo fundador da Faculdade de Medicina da UFC.

Em nosso Estado, foi pioneiro da cirurgia oncológica e um dos criadores do Instituto do Câncer. Também esteve na fundação da Casa de Saúde São Raimundo, hospital relevante na formação de profissionais de saúde no Ceará.

Haroldo Juaçaba defendia, com ardor, a expansão da Faculdade de Medicina da UFC, e sua luta bem sucedida levou o ensino médico de qualidade para o Cariri e a Região Norte do Estado.

Dotado de verdadeiras qualidades, deixa-nos um legado de saber e um grande exemplo de vida. Como bem declarou meu pai, o ex- governador Lúcio Alcântara, Haroldo Juaçaba pode ser
considerado um modelo de médico. Não só tecnicamente, mas pelo seu comportamento e sua ética.

À família, expresso toda a minha solidariedade neste momento de pesar.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Deu no Blog do Lúcio Alcântara

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

O Blog do Lúcio Agora Também em Papel

Sou um bibliófilo assumido.

E, como um amante dos livros, a ideia de deixar um registro em papel, dos meus escritos na internet, me perseguia desde que entrei para a blogosfera, há 2 anos.

Esse sonho agora se materializou.

Está saindo do forno, minha nova publicação Blog de Papel. Um livro que reúne informações sobre música, cinema, literatura, cultura em geral. Um olhar crítico sobre a administração pública no Ceará, no Brasil e no mundo; dicas de economia. Enfim, é bem variado.

Quero compartilhar este momento com vocês, que me acompanham e me ajudam a dar vida ao Blog do Lúcio.

Afinal, sem os comentários - favoráveis e desfavoráveis - a vontade de escrever não seria tão intensa. E o número de acessos não se manteria.

Marquei o lançamento do livro para este próximo sábado, dia 16 de maio. E quero encontrar vocês para ganhar os parabéns.... Afinal, é meu aniversário.

Tudo bem se os cumprimentos forem pelo livro e pelo meu natalício. Mais motivo pra festa.

Estarei no Clube Náutico esperando todos, das 12 às 15 horas.

Serviço:
Náutico Atlético Cearense
Avenida da Abolição, 2727
Meireles
60165-081 Fortaleza Ceará
Telefone (85) 3242 10 23
Lançamento do livro Blog de Papel
Dia 16 de maio de 2009
Das 12 às 15 horas

Postado por Lúcio Alcântara às 12:03

terça-feira, 24 de março de 2009

Cícero do Ceará

24 de março de 1844
Nascia, no Ceará, Cícero Romão Batista
Já disse certa vez em entrevista e repito aqui. Se colocassem Gabriel Garcia Márquez e Carlos Castaneda sozinhos em um deserto, juntos, eles não conseguiriam imaginar uma história tão inusitada quanto a de Padre Cícero. No caso da biografia de Cícero, a alucinação e o realismo fantástico perdem, de longe, para o fato. Quando falei isso a um colega jornalista, ele disse que talvez fosse um certo exagero de minha parte. Pois sim.
Lira Neto, jornalista cearense que atualmente prepara a biografia de Padre Cícero.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Antônio Cearense

No ano de 2009, o Estado e o povo do Ceará festejam o centenário do nascimento de Patativa do Assaré, uma das maiores e mais significativas expressões da poesia popular brasileira. Antônio Gonçalves da Silva é o nome desse gênio, que veio ao mundo em Assaré, na região do Cariri, em 5 de março de 1909, e morreu em 2002, aos 93 anos de idade.

Mais do que poeta, repentista e cantador, Patativa foi um notável cearense, merecedor da admiração e do respeito a que fazem jus, e tantos outros que, pela grandeza humana e pelo fulgor da inteligência, dignificam a terra em que nasceram.

Justas, pois, são as homenagens com que o nosso povo comemora o centenário desse brilhante artista, que nos deixou um legado de sabedoria, de emoção e de beleza.

Como José Albano, outro magnífico bardo cearense, Patativa do Assaré também poderia dizer: Poeta fui, e do áspero destino / senti bem cedo a mão pesada e dura.

Filho de um modesto agricultor, já na primeira infância perde a visão do olho direito, como Camões. Aos 8 anos, torna-se órfão de pai e começa a lavrar a terra, para sobreviver; aos 12, alfabetiza-se durante os quatro meses em que frequenta a escola, à qual jamais voltaria; um ano depois compõe os primeiros versos; com 16 anos, compra uma viola e começa a cantar de improviso, em feiras e programas de rádio. Logo recebe a alcunha de “Patativa do Assaré”, pela poesia que lembra a beleza do canto dessa ave.

Apenas alfabetizado, não escrevia os poemas que compunha, às vezes com centenas de versos. Guardava-os de cor, dono que era de uma impressionante memória.

A vida inteira morou em Assaré, orgulhoso da roça que plantava anualmente, enquanto sua obra era estudada até em Paris, na Universidade de Sorbonne.

Na caudalosa poesia com que nos fala ao coração e à razão, Patativa valeu-se dos elementos de que se constitui a realidade do sertanejo: o amor, as festas, a chuva, a fé religiosa, mas também a seca, a fome, a pobreza econômica e as injustiças sociais.

Com a linguagem arrevesada de quem mal escrevia, humildemente cantou: Meu verso rastêro, singelo e sem graça / não entra na praça, no rico salão. / Meu verso só entra no campo e na roça, / Nas pobre paioça, da serra ao sertão.

Muito embora as poucas letras, revelava Patativa uma aguda percepção política, uma lúcida consciência social, como no poema Eu quero. Quero paz e liberdade, / Sossego e fraternidade / Na nossa pátria natal. / Desde a cidade ao deserto, / Quero o operário liberto / Da exploração patronal.

Imune às paixões partidárias, declarou certa vez: Não tenho tendência política; sou apenas revoltado contra as injustiças que venho notando desde que tomei algum conhecimento das coisas, provenientes talvez da política falsa (...).

A pesquisadores cearenses ocorreu a feliz ideia de pôr em letra de fôrma o que Patativa guardava na memória. Assim, publicaram-se os livros Inspiração nordestina, Cante lá que eu canto cá, Ispinho e Fulô, Digo e não peço segredo e Aqui tem coisa.

Esse, o registro com que, em nome do Ceará e do povo cearense, saudo Patativa do Assaré, pelo centenário do seu nascimento.

A esse gênio brasileiro, o nosso respeito e a nossa homenagem, pela inspiração com que soube transformar em poesia a realidade social do Nordeste e a grandeza humana do homem nordestino.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Bárbara

Registro aqui minha homenagem a uma heroína do Estado do Ceará, Bárbara de Alencar, por ocasião da passagem da data comemorativa de seu nascimento.

Ela nasceu em 11 de fevereiro de 1765, no sertão de Pernambuco, tendo se mudado para o Crato quando de seu casamento.

Mulher de personalidade forte, desafiou o preconceito e as convenções vigentes, envolvendo-se nas principais questões políticas de sua época. Dotada de grande autoridade moral, estendia sua influência a diversas famílias do Nordeste, com as quais mantinha laços de parentesco ou amizade.

Embora pertencesse à tradicional oligarquia do Cariri, compartilhava dos ideais iluministas responsáveis pela onda de mudança que varria a Europa e a América. Assim, não hesitou em abraçar a causa dos libertários da Revolução de 1817, iniciada no Recife e logo propagada pelas regiões vizinhas.

Corajosamente, participou desse movimento, animando o mesmo sonho de independência que havia embalado Tiradentes alguns anos antes.

Junto com três de seus cinco filhos —José Martiniano de Alencar, Carlos José dos Santos e Tristão Gonçalves de Alencar e Araripe—, transformou sua casa no centro da conspiração em terras cearenses. Atraiu simpatizantes, bem como inspirou e liderou os breves, porém dramáticos, dias de maio, durante os quais chegou a ser proclamada a República do Crato.

Mas, infelizmente, a hora da Independência do Brasil ainda não havia chegado. Vencidos os revolucionários, Bárbara de Alencar foi presa com os três filhos e teve todos os bens confiscados, podendo ser considerada, dessa forma, a primeira mulher submetida à prisão por razões políticas em nosso País.

Nem a viuvez nem os seus mais de cinquenta anos conseguiram poupá-la da humilhação e do sofrimento. Durante mais de 3 anos, recebeu tratamento cruel nos cárceres de Icó, Fortaleza, Recife e Salvador, por onde passou.

Nordestina de fibra, não se deixou abater pela dura provação. Obteve a liberdade em novembro de 1820, e, perseverante em seus ideais, continuou a inspirar a luta que levaria à proclamação da Independência do Ceará, em Icó, em 16 de outubro de 1822.

A vida ainda lhe reservaria nova oportunidade de demonstrar a força de seu caráter. Durante a Confederação do Equador, que inflamou as Províncias do Nordeste, em 1824, acompanhou os filhos sublevados contra os desmandos do Imperador Pedro I.

O levante foi derrotado; os revoltosos punidos. E Bárbara de Alencar teve de comprometer as derradeiras energias na tentativa de libertar seus 3 filhos. Por maiores que tenham sido os esforços e as súplicas, não logrou completo sucesso em seu intento e amargou a desventura de ver fuzilados dois deles: Carlos e Tristão.

Enfim, cansada de tanta luta, recolheu-se a seu sítio, onde morreu em 1832. Pediu um enterro simples, em uma rede, do modo como eram sepultados seus escravos, os quais, segundo afirmou, sempre foram amigos leais.

Bárbara de Alencar foi, ao mesmo tempo, revolucionária e mãe extremada, heroína e geradora de heróis. Legou ainda sua grandeza a descendentes como o neto, José de Alencar, também ele um nobre lutador, mas no campo da literatura, em prol da independência da língua e da cultura nacionais.

Legado, esse, que constitui até hoje extraordinário exemplo da força e da dignidade da mulher brasileira.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Inigualável

O dia sete de fevereiro assinala o centenário do nascimento de um dos mais importantes personagens da vida brasileira no século XX. Trata-se de Dom Helder Câmara, falecido há quase 10 anos, mas lembrado, respeitado e muito querido, principalmente pelo povo simples, que ele sempre defendeu.

Nascido em Fortaleza, décimo primeiro filho de uma família humilde, aos quatro anos de idade Helder Pessoa Câmara conheceu os padres lazaristas e, a partir daí, nunca mais se afastou da Igreja Católica.

Aos oito anos, recebeu a primeira eucaristia; aos 14, entrou no Seminário da Prainha de São José, para os cursos preparatórios, e a seguir estudou Filosofia e Teologia. Com autorização especial da Santa Sé, foi ordenado sacerdote em 15 de agosto de 1931, bem antes de completar a idade mínima exigida, que era de 24 anos.

Seu compromisso com os pobres, o desenvolvimento humano e a busca de uma sociedade melhor, também veio cedo, mostrando-se igualmente definitivo.

Ainda jovem padre, no Ceará, aliou-se a lavadeiras, passadeiras e empregadas domésticas para formar a Sindicalização Operária Feminina Católica. A par disso, trabalhou intensamente pelo aperfeiçoamento da educação pública no Estado.

Já no Rio de Janeiro, onde atuou por longos anos, de início como assessor do arcebispado, depois como bispo auxiliar, seu empenho resultou em obras memoráveis.

A Cruzada de São Sebastião, dedicada a amparar as famílias, estimular a educação e difundir a religião, transformou uma antiga favela num conjunto de dez prédios habitacionais, uma escola e a Igreja dos Santos Anjos. No ano passado, essa igreja foi tombada pela prefeitura carioca, em reconhecimento à importância de seu fundador e ao pioneirismo de sua iniciativa.

O Banco da Providência, criado por Dom Helder em 1959, consolidou-se como o maior e mais duradouro programa social da Arquidiocese do Rio de Janeiro, beneficiando anualmente milhares de pessoas com ações de inclusão.

Vale observar que a capacidade de realização demonstrada nesses projetos, apareceu também nos assuntos internos da Igreja Católica.

Dom Helder foi o grande impulsionador da fundação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), concretizada em 1952; naquela ocasião, os colegas o aclamaram para o posto de secretário-geral.

Em seguida, articulou com bispos dos países vizinhos a criação do Conselho Episcopal Latino-Americano. E, em 1956, instituiu a Cáritas Brasileira, defensora dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável solidário.

Em Dom Helder, entretanto, a enorme disposição de empreender jamais cerceou o homem de idéias, firme na fé cristã e sempre orientado para a caridade.

De volta ao Nordeste em 1964, como arcebispo de Olinda e Recife, ao mesmo tempo que lançava novos projetos e organizações pastorais, ele se tornava uma voz forte contra os abusos do poder e a violação dos direitos humanos pelo regime militar. Aqueles a quem desagradava passaram, então, a chamá-lo de “bispo vermelho”; os demais, os milhares de oprimidos que amparava, o denominavam “santo rebelde”.

A esse respeito, Dom Helder fez, certa vez, um comentário conciso, mas profundo: “Quando dou pão aos pobres, chamam-me de santo; quando pergunto pelas causas da pobreza, chamam-me de comunista”.

Sem deixar de perguntar pelas causas da pobreza nem de partilhar o pão com os pobres, nos anos 70 Dom Helder Câmara passou a ser, mais do que um bispo brasileiro, um verdadeiro cidadão do mundo, ouvido com atenção e acatamento em dezenas de países.

Só aqui não podia falar livremente, pois o regime autoritário impedia seu acesso aos meios de comunicação, tramava represálias, perseguia seus assessores – um deles, o padre Antônio Henrique, foi sequestrado, torturado e morto.

Doutor honoris causa por diversas universidades estrangeiras, cidadão honorário de duas cidades européias e 28 brasileiras, indicado para o Prêmio Nobel da Paz, Dom Helder nunca abdicou de mesclar a humildade, que lhe era natural, com a defesa fervorosa da liberdade e gestos efetivos pela melhoria das condições de vida da população.

Renunciou às funções de arcebispo ao completar 75 anos, porém permaneceu ativo em sua luta, e nos anos 90 lançou uma campanha pela erradicação da miséria, anunciando claramente seu propósito: “Temos de entrar no terceiro milênio sentados à mesa, comendo, saudáveis, fraternos, abrigados do frio, da chuva e do vento”.

Infelizmente, chegamos ao terceiro milênio sem concretizar esse projeto e sem seu idealizador. Dom Helder morrera a 27 de agosto de 1999.

Ficaram entre nós, para sempre, seus extraordinários exemplos de como conciliar grandeza pessoal e simplicidade material, destemor diante dos poderosos e candura para com os humildes, leveza para sonhar e vigor para realizar.

Dos que tanto o difamaram, hoje poucos se recordam. Mas do “Santo Rebelde”, do “Peregrino da Paz”, do “Irmão do Pobres”, do inigualável Dom Helder Câmara, o Brasil e o mundo jamais esqueceremos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Farias Brito

É preciso reeditar Farias Brito, dizia o título de um artigo publlicado em 1930, por Almeida Magalhães, na revista Novidades Literárias, Artísticas e Científicas, do Rio de Janeiro.

Esse clamor somente seria atendido anos depois. O Instituto Nacional do Livro (INL) publicaria, em 2ª edição, as obras filosóficas de Farias Brito, cujas primeiras edições datam do final do século XIX e início do século XX. Os relançamentos incluíram O Mundo Interior (1951), A verdade como Regra das Ações (1953), A Base Física do Espírito (1953) e os três volumes de Finalidade do Mundo (1957).

O tempo passou e os livros do filósofo cearense não mais foram reeditados. Os exemplares do INL, não são fáceis de encontrar. Decorridos mais de 50 anos, foi necessário grande esforço para reeditar Farias Brito.

Lúcio Alcântara, quando esteve à frente do Governo do Estado do Ceará (2003-2006), através da Secretaria da Cultura, que em parceria com o Senado Federal (SF), promoveu novas edições de A verdade como regra das ações (2005), O mundo interior (2006) e A Base física do espírito (2006).

No ano de 2008, ainda pelo Senado Federal, tivemos a publicação de Finalidade do mundo, em seus três volumes. Resta-nos, apenas, ver uma nova edição de Inéditos e dispersos, que reúne documentos biográficos e literários do pensador cearense.

Poeta, literato, polemista, Raimundo Farias Brito nasceu em 24 de julho de 1862, na então Vila de São Benedito, interior do Ceará, mudando-se depois para Ipu, Sobral e Fortaleza. Na capital, cursou o antigo Liceu do Ceará, onde concluiu os estudos secundários e revelou grande apego aos livros. Formou-se em Direito na Faculdade do Recife, no Estado de Pernambuco, em 1884, tendo recebido as influências de Tobias Barreto.

Depois de formado, atuou como promotor e secretário no Governo do Ceará. Entre 1902 e 1909, regeu a Cátedra de Filosofia da Escola Jurídica do Pará. Transferindo-se para o Rio de Janeiro, venceu o concurso para lecionar lógica no renomado Colégio Pedro II, mas por injunções políticas, só ocupou o cargo após a morte de Euclides da Cunha, que fora colocado em seu lugar.

A obra de Farias Brito tem sido objeto de estudos e seminários no Brasil e no exterior. Figuras de destaque do pensamento brasileiro já se manifestaram favoravelmente sobre ele. Benedito Nunes, um dos maiores estudiosos de sua obra, destaca na Revista do Livro, 25, ano VI, março de 1964:
[Farias Brito] empenhou-se fundo na demolição do positivismo, que impregnou a mentalidade dos nossos republicanos históricos, e na crítica das formas mecanicista e evolucionista do Materialismo do século XIX. Pretendia erguer sobre os escombros dessas doutrinas uma Filosofia do Espírito, capaz de contribuir para a regeneração da sociedade.
Farias Brito faleceu no Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 1917.
O poeta cearense Mário Linhares lhe dedicou o soneto abaixo, publicado na Revista da Academia Cearense de Letras, ano LXVI, nº 31, Imprensa Universitária do Ceará, 1962:
A verdade como Regra das Ações
Farias Brito
MESTRE: - Cedeste, enfim, à fatal contingência
Da morte que, ainda em meio à gloriosa labuta,
Ao golpe iníquo e atroz de sua força bruta,
Te abateu a energia heróica da existência.

E cedo assim te foste. E, na brusca violência
Da dor que nos feriu, o nosso ser se enluta,
A evocar os ideais da tua alma impoluta
Que se sacrificou em bolocausto à Ciência.

Perquiriste a Razão e buscaste a Verdade,
Sondando a Alma que sofre e a Vida que se agita
Como nas convulsões de um mar em tempestade.

E, à eterna luz do teus ensinamentos grandes,
Teu nome pairará numa altura infinita
Como um Condor que atinge o pincaro dos Andes.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Ubiratan Aguiar

O cearense Ubiratan Aguiar tomou posse, hoje, 10, como Presidente do Tribunal de Contas da União (TCU).

Na pequena cidade do Cedro, localizada no Vale do Salgado, a 400 quilômetros de Fortaleza, nasceu, há 67 anos, um dos seus filhos mais ilustres, que agora chega ao importante cargo de presidente do TCU.

Lembro-me quando o ex-Deputado tomou posse como Ministro do TCU, em maio de 2001. Dois anos depois chegou à Vice-Presidência do Tribunal, exercendo também o cargo de Ministro-Corregedor.

Agora, ao chegar ao cargo máximo do TCU, ele quer investir em conhecimento, promovendo cursos à distancia para governantes municipais e estaduais. Segundo ele, esses cursos servirão para esclarecer prefeitos e governadores em relação aos processos de licitação, realização de concursos e sobre como prestar contas.

Dono de uma carreira extensa, Ubiratan Aguiar promete uma administração moderna, enérgica, inteligente e, acima de tudo, humana. À frente do TCU, terá a missão de avaliar os programas de Governo, acompanhar e fiscalizar as licitações, contratos e convênios, obras públicas, transferências constitucionais e legais, além da responsabilidade de conferir as contas de Governo da República e poderes para combater e punir os maus gestores.

Formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Ubiratan iniciou a carreira como professor. Primeiro, ensinando língua portuguesa em uma escola da rede privada. Foi professor também na Academia de Polícia Civil do Ceará, onde ensinou Direito Constitucional. O novo presidente do TCU também é dono de carreira política, tendo sido eleito Vereador, Deputado Estadual e Deputado Federal.

Além de uma grande bagagem jurídica e política, Ubiratan tem a sensibilidade do poeta, autor de obra literária. Membro da Academia Fortalezense de Letras, Ubiratan é autor de livros como Idioma dos Pássaros (2003), Passageiros do Tempo (2005) e Versos e Vida (2007). O Ministro também já atuou como compositor musical, escrevendo parcerias ao lado de Goya e João Donato.

Primogênito do senhor Araken e de dona Maria Diniz, a dona Quinca, marido de dona Terezinha, pai de quatro filhas e avô de nove netos, Ubiratan enche de orgulho não apenas os seus, mas toda a família cearense.

Parabéns ao nobre Presidente do TCU, Ubiratan Aguiar. Êxito e sucesso eu tenho certeza de que serão uma constante em sua próspera administração.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Pranto

Presto aqui uma homenagem póstuma ao cearense, ex-Deputado Federal, ex-Deputado Estadual Raimundo Gomes da Silva, que faleceu na noite de 18 de novembro último, na cidade de Fortaleza, no Estado do Ceará, aos 88 anos, vítima de um enfarte.

Natural de Uruburetama, o ex-Deputado Gomes da Silva era advogado, formado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará.

Exerceu o mandato de Deputado Estadual de 1951 a 1963, pelo PSD; e de 1964 até 1973, pela Aliança Renovadora Nacional, a Arena. Foi Primeiro-Secretário da Mesa Diretora de 1971 a 1973, quando fora escolhido para ocupar vaga de Conselheiro no Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará.

Como Presidente da Assembléia Legislativa do meu Estado, nos anos de 1961 e 1968, assumiu o Governo do Ceará em duas oportunidades. Foi, ainda, Assessor Parlamentar do Ministério das Minas e Energia, de fevereiro de 1989 a 1990.

Gomes da Silva era também Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, onde serviu como Segundo-Tenente. Como advogado, atuou nas comarcas de Pentecoste, Apuiarés, General Sampaio e todo o Vale do Acaraú. Era também Tabelião Público e Oficial de Registro de Imóveis de Pentecoste.

Seu sepultamento aconteceu às 17 horas do dia 19 de novembro, no Cemitério Parque da Paz, na Capital cearense.

À família, os meus sinceros pêsames e minha profunda solidariedade.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Obra Admirável

Os amigos falam, com saudade, da mulher firme e afável; os leitores, com gosto, dos romances fascinantes ou das crônicas sempre atuais; os estudiosos, com respeito, de uma obra madura, importante.

De um modo ou de outro, entretanto, todos recordam Rachel de Queiroz, que hoje homenageio pelo transcurso do 17 de novembro, data de seu nascimento. Uma figura ímpar, e, sem dúvida, uma das maiores escritoras brasileiras do século XX.

É comum que, ao tratar de personalidades desse quilate, as pessoas procurem, de alguma forma, rotulá-las. Com Raquel, isso muitas vezes foi tentado, e mostrou-se tarefa das mais difíceis.

Cearense, viveu entre os cariocas, na cidade do Rio de Janeiro, por mais de 60 anos, sem nunca se desligar de sua Quixadá, lá no sertão do Ceará.

Comunista na juventude, colaborou com o movimento de 64 e mais tarde declarou-se “uma doce anarquista”.

Pioneira em muitos momentos, não se vangloriava de ter aberto caminhos.

Criadora de personagens femininas marcantes, negava existir aí qualquer conotação feminista.

Nada disso, contudo, era premeditado. Essas supostas contradições não visavam a surpreender nem chamar a atenção. Rachel de Queiroz atingiu a glória, não apenas a fama transitória, ainda em vida, mas sem perseguir a condição de celebridade.

Na verdade, tornou-se conhecida, respeitada, querida pelos brasileiros como fruto de seu doce ofício de escrever. Escreveu desde cedo, embora dissesse, eis mais um paradoxo, que não gostava de escrever, e que só o fazia porque precisava se sustentar.

Aos 17 anos, já colaborava com o jornal O Ceará. Aos 20, com dinheiro emprestado pelos pais, publicou seu primeiro romance. Longe de denunciar a juventude da autora, O Quinze é um relato forte sobre o drama da seca, que mereceu o Prêmio Fundação Graça Aranha e foi traduzido em vários países, como a Alemanha e o Japão.

Ela receberia premiações também por outras obras, como As Três Marias e Memorial de Maria Moura. Prêmios que, a propósito, foram freqüentes em sua vida literária. Entre os mais significativos, o Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras; o Jabuti de Literatura Infantil; o Troféu Juca Pato de Intelectual do Ano; o Camões de Literatura.

Rachel também poderia ter entrado de vez na política, pois Jânio Quadros a convidou para ser Ministra da Educação. Preferiu, porém, continuar escrevendo, “sendo apenas jornalista”, como explicou à época.

Jornalista que escrevia crônicas para o Correio da Manhã, O Jornal e o Diário da Tarde, depois passou a exclusiva da revista O Cruzeiro, e mais tarde de O Estado de S. Paulo.

Na primeira crônica que publicou em O Cruzeiro, em 1º de dezembro de 1945, admitiu certo espanto com o público que iria atingir, dada a tiragem de 100 mil exemplares da revista, e deixou claro, dirigindo-se ao leitor: “Tenho as minhas opiniões obstinadas – você tem pelo menos cem mil opiniões diferentes – há, pois, muito pé para discordância”.

As Três Marias estreou como telenovela em 1980; Memorial de Maria Moura virou minissérie em 1994, apenas dois anos após o lançamento do livro. Um lançamento até surpreendente, aliás, pois Rachel passara várias décadas sem escrever romances. E, na opinião do crítico Antonio Carlos Villaça, voltou ao gênero com uma obra-prima: “Aos 80 anos, ela escreveu, ousou escrever o seu maior livro”, afirmou então Villaça em artigo no Jornal do Brasil.

Ousadia realmente jamais faltara a Rachel de Queiroz. Ao escrever o romance de estréia, mal saída da adolescência; ao entrar no Partido Comunista e ao se retirar dele, discordando da censura a um de seus livros; ao ser a primeira mulher integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), eleita em 1977, sem pedir votos nem distribuir gentilezas entre os futuros pares, apenas aguardando calmamente, no Ceará, o resultado da votação.

É à memória dessa mulher tranqüila e corajosa, cheia de talento e muito produtiva, apesar de se dizer preguiçosa, que faço hoje minha homenagem e, tenho certeza, a homenagem dos cearenses, que, com orgulho, represento na Câmara dos Deputados.

É a essa obra admirável, na força do romance, na leveza da crônica ou na graça da literatura infanto-juvenil, que presto reverência na data de aniversário da grande Raquel de Queiroz.

Ela nos deixou em 4 de novembro de 2003, pouco antes de completar 93 anos, mas sua obra e sua memória estão aí, vivas.

Neste novo século, cujos primeiros anos chegou a ver, Rachel de Queiroz permanece entre os principais nomes da nossa literatura.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Botânica Médica Cearense

Botânica Médica Cearense é o título do livro do escritor Francisco Dias da Rocha, que será lançado nesta quarta-feira, 12, durante a abertura do XIII Congresso Brasileiro de História da Medicina.

A conferência que abrirá o evento será proferida às 19 horas, pelo Presidente de Honra da Sociedade Brasileira de História da Medicina (SBHM), o médico Lúcio Alcântara (foto), que abordará o tema A MEDICINA, A HISTÓRIA E A POLÍTICA DE SAÚDE NO BRASIL. O evento prossegue até sábado, 15, no Golden Tulip Iate Plaza Hotel, na Avenida Beira Mar, 4753, em Fortaleza, no Estado do Ceará.

A reedição deste volume, marca o retorno da série de publicações da Coleção Biblioteca Básica Cearense, da Fundação Waldemar Alcântara. Desde 1997, quando foi lançado o livro Ensaio Estatístico da Província do Ceará, de Thomaz Pompeo de Sousa Brasil, a Biblioteca Básica Cearense já republicou 13 títulos. O último, História das Secas – Século XVII a XIX, de Joaquim Alves, havia sido publicado em 2003.

A Biblioteca Básica Cearense é uma linha editorial que contempla os clássicos do pensamento cearense, publicizando-os a todos os cidadãos que desejam aprofundar saberes e realizar produções acadêmicas ou, simplesmente, conhecer melhor a história do Ceará e de seu povo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Cesar Asfor Rocha

Assisti há pouco, aqui em Brasília, a solenidade de posse do Ministro Cesar Asfor Rocha (foto), como Presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Hoje cedo, li entrevista sua, na qual ressalta que uma de suas metas na Presidência, é realizar julgamentos conjuntos de causas repetitivas para, com isso, diminuir o número de processos que aguardam uma solução do Tribunal.

Uma das grandes falhas da magistratura é a nossa pouca vocação para gestão profissional, no trato com os nossos processos. Temos que racionalizar as nossas condutas. Temos que buscar práticas novas que possam exterminar aqueles chamados processos repetitivos. A finalidade do STJ é uniformizar a jurisprudência. Se uma vez nós decidirmos sobre determinado tema, não há mais o que se cogitar sobre a variação ou não de entendimento com relação a esse tema, afirmou o Ministro.

O novo Presidente ressaltou que, com esse tipo de procedimento, com apenas oito julgamentos, o STJ tem condições de livrar-se de cerca de 120 mil processos em tramitação.

Isso é bom para o Tribunal, é bom para os advogados, mas é bom, sobretudo, para o jurisdicionado, que tem uma resposta senão mais rápida, menos lenta, avaliou o cearense Cesar Asfor Rocha.

TV Cidade

Credibilidade e respeito aos telespectadores têm sido os principais ingredientes da receita de sucesso que, a cada dia, vem garantindo o aumento da audiência da TV Cidade, emissora que integra, no Estado do Ceará, o Grupo Cidade de Comunicação. Afiliada à Rede Record, a TV Cidade é a referência do conglomerado de empresas, que possui mais seis emissoras de rádio AM e FM.

Ao completar 30 anos de existência, novos investimentos têm sido feitos, sempre mantendo o padrão de qualidade ao transmitir informação e entretenimento aos telespectadores. São mais de sete milhões de pessoas que sintonizam a TV Cidade, representando 90% da população do Estado do Ceará.

Falar da TV Cidade é contar uma história de sucesso, que começou com as idéias empreendedoras de Patriolino Ribeiro de Souza. No dia 30 de agosto de 1978, entrou no ar a TV Uirapuru, que transmitia seu sinal através do canal 8. Pouco tempo depois, em dezembro do mesmo ano, o empresário Miguel Dias de Sousa, um dos nove filhos de Patriolino Ribeiro, oficializava a aquisição de 50% das ações da emissora. Em março de 1979, o restante do patrimônio foi adquirido em sua totalidade, que representou o grande passo para o nascimento do Grupo Cidade de Comunicação.

Em junho de 1981, nascia a TV Cidade de Fortaleza, sob a presidência do empresário Miguel Dias de Souza. A emissora era afiliada à Rede Bandeirantes e, durante todo o dia, transmitia a programação da televisão paulista.

Em 1982, a TV Cidade passou a transmitir, também, a programação do Sistema Brasileiro de Televisão, o SBT. Cinco anos depois, a TV Cidade assinou contrato com o SBT. Em dez anos, foram registradas grandes conquistas.

A emissora expandiu sua área de planejamento em marketing, conquistando novos espaços na mídia local, reequipando seu parque tecnológico, apostando numa programação diversificada para atingir públicos de diferentes segmentos. Desta forma, a TV Cidade consolidou o segundo lugar absoluto na preferência dos telespectadores cearenses.

Com a experiência suficiente de quem disputa um mercado competitivo em investimentos e estratégias, o Presidente do Grupo Cidade, Miguel Dias, surpreendeu o setor ao trocar o SBT pela Rede Record. Isso aconteceu em 1997, época em que a Record iniciava um processo de reformulação interna, na busca de aperfeiçoar sua profissionalização.

Dez anos depois, a emissora comemora os consecutivos resultados das pesquisas de opinião, entre os telespectadores das diferentes classes sociais, que a colocam em primeiro lugar, no índice de audiência em diversos horários.

A empresa tem investido no aperfeiçoamento e contratação de profissionais para todas as áreas. Em 2006, lançou o mais moderno estúdio de televisão da Região Nordeste. Dotado de equipamentos de ponta, a tecnologia é uma forte aliada no trabalho realizado pelos profissionais do Departamento de Jornalismo.

Hoje, o Departamento de Jornalismo da TV Cidade, une experiência e juventude, para levar ao ar programas de grande audiência.

Das 102 emissoras que compõe a Rede Record de Televisão, a TV Cidade é a terceira maior. Tem o mais extenso estúdio do Brasil, fora do eixo Rio-São Paulo. Um novo estúdio, ainda maior, está sendo construído, além de mais uma torre, que vai transmitir o sinal digital.

Para os próximos cinco anos, a previsão do Presidente Miguel Dias é de que a emissora figure como a maior do Ceará.

Estou na torcida pelo grande sucesso da TV Cidade.